Adiar o dia de sair do mar

Anotado por leo gonçalves no dia 25 janeiro atlântico negro, augusto de campos, outra imprensa, poesia
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O número 1.338 do Suplemento Literário de Minas Gerais, correspondente aos meses de Setembro e Outubro de 2011 veio cheio de matérias interessantes. Logo de cara, você encontra uma entrevista com Augusto de Campos concedida a Cristina Monteiro de Castro Pereira. Ele, o Augusto, que na minha opinião se encontra num momento todo especial de sua vida, aos 80 anos em plena criatividade e abertura. Um poema de e. e. cummings traduzido pelo próprio Augusto e aproveitando a deixa, um curto ensaio de Fabrício Marques sobre Augusto de Campso e Paulo Leminski. Em seguida, Sérgio Medeiros compartilha seus e-mails com um crítico. Três contos de Marcílio Castro. Comentários de Marília Rothier Cardoso sobre a correspondência entre Mário de Andrade e Henriqueta Lisboa. Poemas em prosa de Alexandre Guarnieri. “O roubo”, poema de Eucanaã Ferraz. “Similhana”, conto de Ildeu Geraldo de Araújo. Resenha sobre o livro A invenção do crime, de Leida Reis. Renata Marquez lança um olhar sobre “Habitáveis” da artista plástica Liliane Dardot.

Na última página, um poema meu. “Transatlântico” pode não ser uma obra-prima, mas é dentre os meus poemas um dos que mais gosto, pelo caráter de revelação e tragicidade que se esconde sob as águas azuis.

Para quem quiser lê-lo na íntegra, tenho aqui o pdf disponibilizado pelo site da Secretaria de Cultura de Minas Gerais. Clique aí e leve.


O raio de luz Mestre Jonas

Anotado por leo gonçalves no dia 30 dezembro música, mestre jonas, vida
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(18 de março de 1976 – 30 de dezembro de 2011)

No começo dos anos 2000, Mestre Jonas apareceu repleto de swing e bom humor na cena musical de Belo Horizonte. Me lembro dele lá na casa do Renato Negrão, num papo sobre as primeiras ações de um movimento que mostrou que Minas é muito mais do que Clube da Esquina. Mestre Jonas estava lá, com seu violão, voz doce, uma pegada única que me deixou impressionado. Depois, no Samba da Madrugada, ele estava lá, ao lado de Dudu Nicácio, Miguel dos Anjos e seus convidados de peso trazendo fôlego novo ao samba das Minas Gerais. Mestre Jonas, o raio de luz, passou por aqui e tornou o mundo melhor, mais respirável. Gravou um único disco. Tinha mil projetos em mente, parcerias começadas. Não estava na hora ainda, mas hoje ele se foi. Aos 35 anos. Foi requisitado em Aruanda.

Vai em paz, meu querido! Nesse reveillon, fumarei um cachimbo em sua homenagem. Ninguém vai poder te substituir, mas a gente continua o trampo aqui, na medida do possível. Que os deuses recebam bem o orixá que você é!

Nzambi a tu bane ngunzu mukukaiela para a gente que fica!


Poemacumba na Quinta Poética

Anotado por leo gonçalves no dia 21 novembro dança, performance, poemacumba
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Na próxima quinta-feira, dia 24 de novembro, participo da Quinta Poética em homenagem ao mês da Consciência Negra. O recital que promete multiculturas, foi organizado por José Geraldo Neres e acontece na Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos (Avenida Paulista, 37) a partir das 19h.

Vocalizarei poemas da série POEMACUMBA na companhia da bailarina-performer Franciane de Paula. Aproveitaremos para inaugurar o “Ofó para o ventre dela”, que ainda não foi ouvido em nenhuma das outras apresentações. Quem quiser nos ver, apareça por lá.


Forumdoc BH 2011

Anotado por leo gonçalves no dia 20 novembro cinema, documentário
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A poesia de Juan Gelman no Brasil

Anotado por leo gonçalves no dia 29 outubro américa latina, juan gelman, mercado editorial, poesia, poesia contemporânea
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Dibaxu
Dibaxu/Debajo/Debaixo
Universidade Federal do Ceará, 2009

Traduzido por Andityas Soares de Moura e publicado no final de 2009, Dibaxu traz uma coleção de 29 poemas amorosos. Uma curiosidade: Juan não os escreveu em espanhol, sua língua mãe, mas na língua dos judeus da península ibérica, o sefardita. “Sou de origem judia, mas não sefardita, e suponho que isso teve a ver com o assunto”, comenta o poeta. Trata-se de um idioma antigo, que está nas próprias origens da língua espanhola. É, entre outras coisas, o idioma do Cantar de mio Cid, poema fundador do povo castelhano. Apesar de antigo, o sefardita não é uma língua morta. “O acesso a poemas como os de Clarisse Nikoïdski, novelista em francês e poeta em sefardita, desvelaram essa necessidade que em mim dormia”, revela o poeta, outra vez no “Escólio”, incluído na publicação. E arremata: “a sintaxe sefardita me devolveu um candor perdido e seus diminutivos, uma ternura de outros tempos que está viva e, por isso, cheia de consolo”. O livro brasileiro vem em versão trilíngüe (sefardita, português e espanhol), seguindo o caminho proposto pelo próprio poeta em sua publicação original (sefardita-espanhol).

O livro faz parte da coleção Nossa Cultura e nasce graças ao apoio do poeta Floriano Martins.

Com/posições
Com/posições
Crisálida, 2007

Com/posições foi traduzido por Andityas Soares de Moura. Um livro híbrido, onde Juan Gelman recria a poesia de poetas árabes e judeus antigos fazendo deles ao mesmo tempo parceiros e heterônimos. Assim, os autores “traduzidos” vão desde o rei Davi até a poetas árabe-espanhóis da idade média, o período conhecido como Al-Andaluz. Mas a escolha dos poemas ali presentes não é sem razão: ele se vale das vozes antigas para falar de sua própria condição de exilado.

O livro, além de trazer na íntegra os poemas “Com/posições” (Com/posiciones, no original), traz também um precioso prefácio do tradutor e uma entrevista com Andityas Soares de Moura e Leonardo Gonçalves, originalmente publicada em 2005 no Suplemento Literário de Minas Gerais por ocasião do lançamento do livro Isso.

Isso.
UnB, 2004
O livro Isso não é uma antologia. Gelman o havia publicado pela primeira vez no livro Interrupciones II, reunião, além deste, dos livros Bajo la lluvia ajena (notas al pie de una derrota), Hacia el sur e Com/posiciones. Foi traduzido por mim e por Andityas Soares de Moura, a convite de Henryk Siewierski, da editora UnB e publicado em 2004. Um trabalho apaixonado que teve a grande honra da leitura do próprio autor no ato da tradução. Como a visão dos tradutores sobre a poesia é bastante díspare, acabamos por travar um interessante embate, o que fez com que o trabalho tomasse um caráter todo especial de comunhão democrática, vindo à tona, tanto na tradução quanto na introdução, um pouco da poética de cada um dos três: o mestre, é claro, Juan, e seus alunos: Leo Gonçalves e Andityas.
O livro Isso integra a coleção Poetas do Mundo que já trouxe para o nosso idioma poetas como Tahar ben Jelloun, Czesław Miłosz, Miodrag Pávlovitch, Francis Ponge, Lucian Blaga, e. e. cummings, Edwin Morgan, Yosano Akiko e outros.

Amor que serena, termina?.
record, 2001
Amor que serena, termina? é um belo panorama da poesia de Juan Gelman. Traduzido por Eric Nepomuceno e revisada por Chico Buarque de Holanda. Conhecido por traduzir muito do que há de melhor em literatura latino-americana no Brasil, neste livro, Nepomuceno se entrega a um desafio inédito para ele: traduzir poesia. Conta-se que a record relutou por algum tempo até se convencer a publicar este livro, afinal livro de poesia não vende no país da batucada.

Puentes/Pontes.
Fondo de Cultura Económica, 2004

Este é um interessante projeto da Fondo de Cultura Económica, organizado por Heloísa Buarque de Holanda, Jorge Monteleone y Teresa Arijón. O propósito: pensar a poesia como ponte que une mundos. Trata-se de uma alentada antologia (537 páginas) que inclui poetas brasileiros e argentinos. Na lista: Paulo Leminski, Lamborghini, Affonso Ávila, Bayley e, é claro, Juan Gelman. A tradução deste foi feita pelo poeta e tradutor sérgio alcides e nos dá um ótimo panorama das faces do poliedro que é a poesia de Juan.


Poesia argentina – 1940/1960.
Iluminuras

Esta antologia foi organizada pela acadêmica Bella Jozef, que além deste livro, é autora também de alguns estudos sobre a poesia latino-americana contemporânea. É um panorama da poesia argentina de uma época criativa e febril na poesia daquele país. Mostra o aparecimento do surrealismo, da poesia beatnik, por exemplo. Além do juan (apenas 2 poemas, maravilhosos e muito bem traduzidos, por sinal), tem lá uma boa seleção de outros poetas.


Daniela Andújar e outras personas

Anotado por leo gonçalves no dia 24 outubro ao meu redor, performance, poesia, poesia contemporânea
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Nunca vi Daniela Andújar. A conheci pelas vias virtuais. Leitora do Salamalandro, me mandou um recado lá pelos últimos anos de Roberto Piva, quando lancei por aqui um apelo para os que quisessem/pudessem colaborar com alguma grana para que o poeta pudesse cuidar da saúde. Ela pedia para avisar aos dele que havia reunido uns amigos e depositado algum montante na conta que divulguei aqui.

Desde então, vez por outra mantemos contato por e-mail. Só em 2011 é que descobri que Daniela Andújar é uma portenha para lá de original. Assina aqui ali como Roberta Arta e outros heterônimos. Das coisas que ela gosta (até onde sei), inclui-se proferir com sua voz de gitana as palavras da sua poesia, que ela reúne na performance Poeticazo, ao lado de amigos, às vezes percussão, às vezes guitarra ou o que vier.

Daniela Andújar vive no Guarujá, mas tem passado os últimos meses em Buenos Aires. Navegou pelos cinco mares, andou pela Itália, Andalucia, nas suas palavras andou fundando agrupações sambapunk de poesia e ritmo como “Manifesto Escoria, ou Deus”, “Ser o no Res”, mesclando poesia, dança, música e entusiasmo. Sua expressividade delirebelde resulta na palavra Manifesto, ou, melhor ainda: ManiFesta.

A LA VIDA HAY QUE DES-$IFRARLA, ela e suas muitas personas gritam com um pedal chorus ligado no máximo.

Recebi pelo correio há alguns meses um pacote repleto de coisas: o livro Dengue, que traz o subtítulo: “poesia para extender o império dos sentidos e bombardear o império dos sentados”. No pacote também havia outras coisas. Convite para a performance-rapp que rolou el viernes 29 de outubro de algum ano passado, com o lançamento desse mesmo livro. Como invocados espciais: Oswald de Andrade e Allen Ginsberg. E mais um folheto com o poema (ou pameo ou peoma) “serviço de morte obrigatório”. E mais um cd com suas palavras gritadas contra a moral e os bons costumes. E mais um poema de Paco Urondo “La verdad es la única realidad” e mais e mais, num desdobrar de repalavreamentos que botariam James Joyce de cabelo (ou carne) em pé.

A poesia eléctrica táctil cardíaca bombachuda inflamable de Daniela Andújar, uma cidade caótica onde se perder. Para conhecer um pouco do que ela faz, é lá no: www.danielaandujar.blogspot.com

*

Deixo com vocês uma palhinha colhida no blog dela com tradução minha:

Anocheself

O dia nasceu noctâmbulo
querendo nascer amanhã
não hoje
o dia de hoje se desnasce
pretende abaixar o sol
soprá-lo
até empurrá-lo
e que ele caia to
d
o

pelo horizonte e se es
t
r
e
l
e

[El día nació noctámbulo
con ganas de nacer mañana
no hoy
el día de hoy se desnace
pretende agachar el sol
soplarlo
hasta empujarlo
y que se caiga to
d
o

por el horizonte.

y se e
s t
r
e
ll
e]


Um poema de Bruno Brum

Anotado por leo gonçalves no dia 22 outubro bruno brum, poesia
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Um deles

Os que acreditam fazem perguntas aos que parecem acreditar.
Os que parecem, parecem não ouvir.
Os que ouvem permanecem calados.
Os que respondem parecem não acreditar no que dizem
os que perguntam.
Todos parecem em silêncio.

*

Este é o primeiro poema do livro Mastodontes na sala de espera, do meu amigo Bruno Brum, lançado em Belo Horizonte no final de setembro e em São Paulo na quarta-feira, dia 19 de outubro. Fiquem atentos: este livro é de marcar época.


Lançamento em SP: Mastodontes na sala de espera

Anotado por leo gonçalves no dia 16 outubro agenda, bruno brum, mercado editorial, poesia, poesia contemporânea
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Para quem estiver em SP na próxima quarta-feira, dia 19 de outubro das 19h30 às 22h30, a boa é o lançamento do livro Mastodontes na sala de espera de Bruno Brum, que acontece no Centro Cultura O B_arco (Rua dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426 – Pinheiros).

Saiba mais sobre o livro  e sobre autor no www.saborgraxa.wordpress.com

***

Título: MASTODONTES NA SALA DE ESPERA
Autor: Bruno Brum
Tema: poesia brasileira contemporânea
Formato: 14 x 21 cm | 96 p. | BROCHURA
ISBN 978-85-87961-69-3 | ano: 2011 Preço: R$ 24, [já disponível]
Livro vencedor do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2010, na categoria Poesia

Comentário de Luiz Roberto Guedes:

Que poesia é possível em nosso tempo pós-utópico, virtualizado, em que a própria realidade é “desrealizada”, como disse Paul Virilio? Este desafiador mastodonte fabricado por Bruno Brum reafirma a sobrevivência dessa arte que muitos creem extinta, a poesia. Com sua dicção personalíssima – em que se poderia distinguir, talvez, uma afinidade com o demiurgo anarcopoético Sebastião Nunes –, Brum destila poemas com um humor seco, ácido, esboçando mapas provisórios de um mundo alucinado, onde “um homem lê um livro em chamas”. Consciente de que o poeta é um criador de “empresas imaginárias”, se lança com arrojo à humana empresa da poesia. Bravo Brum.

Título: MASTODONTES NA SALA DE ESPERA

Autor: Bruno Brum

Tema: poesia brasileira contemporânea

Formato: 14 x 21 cm | 96 p. | BROCHURA

ISBN 978-85-87961-69-3 | ano: 2011 Preço: R$ 24, [já disponível]

Livro vencedor do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2010, na categoria Poesia


João Batista Jorge

Anotado por leo gonçalves no dia 2 outubro geração mimeógrafo, joão batista jorge, memória, poesia
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quando estou longe de você

as quatro paredes são brancas
o teto é branco, o assoalho branco
os móveis brancos, brancos objetos
livros brancos (e as páginas brancas dos livros)
esta folha é branca
branca a tinta com que escrevo nela
estas palavras brancas

quando estou longe de você
e não há ruídos
todos os motores adormecidos
e o silêncio é branco

quando estou longe de você
e o oposto do branco é o branco

(João Batista Jorge)
***

Semana passada tive a honra de estar em Belo Horizonte participando do recital Prova de corte, da Thais Guimarães. O evento fazia parte das Terças Poéticas, que acontece toda semana no Palácio das Artes. O meu papel foi o de ler alguns poemas do homenageado João Batista Jorge (que, dos anos 70 para os 80 foi companheiro da Thais). Junto conosco, Ricardo Aleixo fazia a direção e lançava sons com seu famoso “laptop zoador”. O momento foi um dos mais emocionantes desse 2011 (e olha que tenho tido experiências incríveis em 2011).

João Batista Jorge foi poeta da geração mimeógrafo, circulando pelas ruas de Belo Horizonte em meados dos anos 70. Deixou publicados 3 livros: Tíbias e flautas, Flagrante joia e Asa da águia/água da ásia. Foi também um dos organizadores do jornal alternativo Paca tatu, cotia não. Jorge foi assassinado na sua cidade natal (São Gotardo) em 1983 e os motivos de sua morte, assim como seu assassino, continuam ainda desconhecidos. Suspeita-se de (des)razões políticas. O que ele escreveu além do publicado? Não se sabe: a família preferiu deixar que a morte silenciasse também as palavras do poeta.


Mastodontes na sala de espera e Sambaqui

Anotado por leo gonçalves no dia 26 setembro agenda, bruno brum, edson cruz, poesia, poesia contemporânea, poetamigos
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Quem estiver em BH no próximo sábado não pode perder o lançamento dos livros Mastodontes na sala de espera, de Bruno Brum e Sambaqui, de Edson Cruz, ambos publicados pela editora Crisálida. O evento acontece na livraria Scriptum (rua Fernandes Tourinho, 99 – Savassi) a partir das 11h.

Saiba mais no: www.saborgraxa.wordpress.com
ou no: www.sambaquis.blogspot.com


Terça nas Terças Poéticas

Anotado por leo gonçalves no dia 24 setembro leo gonçalves, poesia, ricardo aleixo, thaís guimarães, voz
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Dois poemas de Langston Hughes

Anotado por leo gonçalves no dia 13 setembro langston hughes, poesia, tradução
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Eu, Também

Eu, também, canto a América

Eu sou o irmão mais preto.
Quando chegam as visitas,
Me mandam comer na cozinha.
Mas eu rio
E como bem,
E vou ficando mais forte.

Amanhã,
Quando chegarem as visitas
Me sentarei à mesa.
Ninguém ousará
Me dizer,
“Vá comer na cozinha”,
Então.

Além do mais,
Eles vão ver quão bonito eu sou
E se envergonharão -

Eu, também, sou a América.

***

Negro

Eu sou Negro:
Negro como a noite é negra,
Negro como as profundezas da minha África.

Fui escravo:
Cesar me disse para manter os degraus da sua porta limpos.
Eu engraxei as botas de Washington.

Fui operário:
Sob minhas mãos as pirâmides se ergueram.
Eu fiz a argamassa para a fábrica de Algodão.

Fui um cantor:
Durante todo o caminho da África até a Georgia
Carreguei minhas canções de dor.
Criei o ragtime.

Fui vítima:
Os belgas cortaram minhas mãos no Congo
Eles me lincham até hoje no Mississipi.

Eu sou Negro
Negro como a noite é negra
Negro como as profundezas da minha África.

(Traduções de Leo Gonçalves)

***

I, Too
I, too, sing America.//I am the darker brother./They send me to eat in the kitchen/When company comes,/But I laugh,/And eat well,/And grow strong.//Tomorrow,/I’ll be at the table/When company comes./Nobody’ll dare/Say to me,/”Eat in the kitchen,”/Then.//Besides,/They’ll see how beautiful I am/And be ashamed-//I, too, am America.

Negro
I am a Negro:/Black as the night is black,/Black like the depths of my Africa.//I’ve been a slave:/Caesar told me to keep his door-steps clean./I brushed the boots of Washington.//I’ve been a worker:/Under my hand the pyramids arose./I made mortar for the Woolworth Building.//I’ve been a singer:/All the way from Africa to Georgia/I carried my sorrow songs./I made ragtime.//I’ve been a victim:/The Belgians cut off my hands in the Congo./They lynch me now in Mississipi.//I am a Negro:/Black as the night is black,/Black like the depths of my Africa.

Fonte:
Hughes, Langston. Vintage. New York: Vintage Books, 2004.