Arquivos mensais: Fevereiro 2006

vai haver a luta contra o m.a.l (movimento anti-lula)?

podem falar o que quiserem, entre todas as opções que estão aparecendo no mercado, cada vez mais eu reafirmo: voto no lula este ano se ele sair mesmo como candidato.

da imprensa, os jornais apontam seus mísseis. usam cada palavra dele contra ele mesmo. as manchetes não perdoam. e eles usam de todos os recursos visuais e outros mais para pintá-lo como um verdadeiro demagogo-populista.

o curioso é que o arroz hoje custa R$8,00 e no governo fhc custava R$13,00. o dólar caiu sem ser indexado. o povão está feliz com ele. e eu acho q os mísseis não alcançarão a meta.

direito autoral: seja criativo

uma das questões que mais têm me interessado recentemente é a dos direitos autorais. como e o que fazer do copyright, do copyleft. que tipo de relação os autores têm com a sua obra e como é possível buscar uma saída alternativa à mera proibição de reprodução que aprendemos a ver nas capas de discos e começos de filmes de locadora.

 

daí, na semana passada, o marcelo terça-nada, meu amigo do vírgula imagem colocou no seu blogue uma dica ótima: o site do creative commons, que tem um filme bem legal explicando de uma maneira ótima o que se pode fazer quanto a isso. o site, aliás, é bem rico em informações. para quem quiser saber mais os detalhes: é só clicar na logomarca da creative commons. não me demorarei muito explicando, pois lá já diz bastante.

dansa é com “s” ou com “ç”?

os dicionários grafam sempre com ‘ç’. mas gosto de escrevê-la com ‘s’, dansar. segundo o houaiss, esta palavra vem do francês (“danser”) que já a escrevia assim, no ano de 1170. na língua portuguesa, também era assim até a primeira reforma ortográfica do século xx, em 1944.

porém, guimarães rosa, que publicou seus escritos somente a partir de 1954, sempre grafou o vocábulo assim: dansar. “uns mosquitnhos dansadinhos, tanto de se desesperar”.

a explicação que mais gosto está no livro de antônio risério, o oriki orixá: “numa conversa, a bailarina suki [villas boas] me disse que achava uma contradição escrever “dança” com “ç” e não com “s”, já que o “ç” era uma letra visualmente capenga, desengonçada, enquanto o “s”, em seu desenho sinuoso é uma letra danSarina.”

risério, que, como eu, é filho da deusa da dansa e do vento, achou que suki estava com a razão. e eu também acho.

a divertida história do padre que se pintou

o padre pinto pintou a cara na bahia. o vaticano não gostou. mandaram ele descansar. acho que só os padres jesuítas se deram o direito de dansar com os índios no brasil. será que só no brasil é que já se viu um padre dansar?

o padre pinto pintou a cara, pintou o corpo, cantou com o povo, fez dansa de roda no dia de reis, desmunhecou como no carnaval. foi jurado no concurso de beleza negra, passeata beneficente pela rua. um verdadeiro herói. merecia ser celebrado num livreto de cordel, cantado pelas bandas de axé e de hip hop, virar samba de enredo. um ícone do terrorismo poético. uma verdadeira lenda viva. deveria ser canonizado pelo povo.

que a igreja católica mande ele passear, não assusta a ninguém. afinal, o sonho da maioria dos padres era fazer o mesmo, não? só não fazem por medo do papa. e o medo, todo mundo sabe, é uma das drogas mais pesadas.

e ele ainda disse, com aquele arzinho de pessoa ingênua e do bem: “é melhor se pintar por fora do que se manchar de hipocrisia por dentro”.

tem kafka no kafé k

tá rolando lá no francisco nunes. além da excelente peça “a acusação”, tem o kafé k. e nele, uma exposição-instalação onde você encontra trabalhos, entre outros, do michel (o dos olhos de mel) mingote. para ver a programação, procure aí nos linkes o site do “grupo oficcina multimédia”. se vira, pô, você não é quadrado (a). mas vá rápido, porque é só até o dia 22 de fevereiro.

 

 

áfrica, essa desconhecida

é o poeta antônio risério quem lembra a imensa dificuldade que há em se falar da áfrica. nossa ignorância sobre o assunto começa em nós mesmos. por mais óbvio que seja, sempre que falamos de coisas d’áfrica, pensamos a partir dos preconceitos e dos desvios que a história deixou. seria ocioso ficar lembrando as inúmeras vezes que falamos desse continente demonstrando profunda falta de conhecimento sobre o assunto.
recentemente incluído nos programas do ensino fundamental do mec, a história da áfrica é agora um assunto urgente e a nossa ignorância precisa acabar. nesse sentido, o livro que a editora crisálida publicou recentemente é uma lamparina no meio da escuridão. nele, os autores (uma angolana radicada no brasil e um brasileiro) demonstram extrema paixão pelo tema e se a obra peca em algum sentido, é porque o caráter introdutório não permitiu que os autores se prolongassem nos detalhes. adianto que cumpre bem o papel de história crítica.
“usualmente, associamos idéias e noções estereotipadas que constroem e são construídas por uma imagem de uma áfrica tribal, tradicional, arcaica, com negros em trajes pré-industriais e armas primitivas, buscando seu alimento nas savanas. nestas representações, a áfrica aparece como distante, como separada de nós por alguns séculos. sugerem que nós, (os tupiniquins) participamos da civilização ocidental e nisso nos distinguimos dos “negros-africanos-tribais”. procuramos buscar elementos que mostrassem os limites dessa simplificação e que colaborassem para pensarmos o continente em outros moldes.”

é o que os autores dizem na introdução à introdução. de minha parte, gostaria que muitas coisas ainda neste mundo começassem a ser pensadas em outros moldes. mas se começarmos apenas por esse, já será um grande começo.