Arquivos mensais: setembro 2006

janine 1

pourquoi tu m’appelles janine
alors que j’ m’appelle thérèse ?

pourquoi tu m’appelles ardèche
alors que j’ m’appelle corrèze ?

pourquoi tu m’appelles triangle
alors que j’ m’appelle trapèze ?

pourqoi tu m’appelles louis xv
alors que j’ m’appelle louis xvi ?

pourquoi tu m’appelles oeuf coq
alors que j’ mappelle omelette ?

pourquoi tu m’appelles hautbois
alors que j’ m’appelle trompette ?

pourquoi tu m’appelles don juan
alors qu’ j’ai une p’tite quéquette ?

pourquoi tu m’appelles képi
alors que j’ m’appelle casquette ?

(por que você me chama de janine,
quando eu me chamo thérèse?

por que você me chama de ardèche
quando eu me chamo corrèze

por que você me chama de triângulo
quando eu me chamo trapézio

por que você me chama de ovo quente
quando eu me chamo omelete

por que você me chama de oboé
quando eu me chamo trompete?

por que você me chama de don juan
quando eu tenho um pingolete

por que você me chama de quépi
quando eu me chamo capacete?)

tá no disco le fil. de camille.
(procure o site na próxima mensagem)

camille – le fil

le fil. música boa por aqui tem de sobra. o brasil é privilegiado. um ouvido musical. que não é normal. já dizia caetano cantando. digo isso, porque tenho ouvido muita canção francesa contemporânea. e a conclusão que chego é que música boa de verdade, é raro.
nas minhas aventuras de professor de francês, encontrei muito pouca coisa que eu achasse realmente boa. é que o parâmetro de comparação é alto. em língua brasileira, é comum música e letra se casarem sem forçação de barra. mas em língua francesa, vi que os melhores cantores são aqueles de origem não européia. o problema não é a língua, é outra coisa. não arrisco a tentar explicar. e nós sabemos que não foi sempre assim(vide piaf & yves montand, satie & debussy, trovadores renascentistas & medievais).
mas tem quem fuja à regra. um cara chamado “M” e a ex-modelo carla bruni são bons exemplos. mas quero falar de um trabalho que me comoveu especialmente. estou falando do disco le fil da excelente cantora camille. trata-se de um disco que soa a eletrônico, mas que foi todo gravado com instrumentos acústicos. instrumentos não tradicionais. sons inventados. sons não-sons. feitos de boca, peito, sopro, mão. às vezes umas teclas. mais raramente.
ao ouvirmos “au port”, a surpresa não é tanta quanto a que temos ao assistir o clipe. só pude perceber que ali não tem nenhum instrumento a não ser o piano quando vi a música sendo executada pela cantora e sua banda: 2 mecs que seguram um som que preenche todo o espaço.
isso sem falar nas letras que se comportam de maneira inventiva e divertida (janine 1). roçam a boa poesia francesa. não são poemas, sendo. deixo uma pequena palhinha, mas o conselho mesmo é que fuce no site-fio dela. lá tem clipe, palhinhas, brincadeiras, fotos e mais mais. vá lá: