Arquivos mensais: novembro 2010

Leo Gonçalves no Jornal de Poesia

Lá pelo ano de 1996, navegava-se de um jeito bem diferente pela internet. Não havia google, nem sites de relacionamento tão acessíveis, emails eram para poucos. Mas já havia o Jornal de Poesia, um site criado e mantido pelo poeta cearense Soares Feitosa. Era de fato um grande feito, pois já naquela época, ele havia conseguido reunir o mais amplo acervo de poesia da língua portuguesa. Me lembro de explorar esse site com entusiasmo, trocando ideias com meu amigo Marcelo Terça-Nada! e colaborando com poemas que ainda não estavam por lá. Eram os anos dourados da internet e tudo era muito promissor. Hoje, o site é um dos mais completos do Brasil e conta ainda com uma “banda hispânica” e com a parceria da Revista Agulha, que é comandada pelos poetas Claudio Willer e Floriano Martins.

Esta semana, fui agraciado com uma página no jornal. Ainda em fase de construção. Minha presença do Jornal de Poesia começa com os ensaios “William Blake Hoje”, publicado originalmente no caderno Pensar, do Estado de Minas e “Antologia antilhana: um livro inventa o presente”, ensaio que publiquei em 2008 na revista Roda – Arte e cultura do Atlântico Negro, na ocasião dos 60 anos da Anthologie de la nouvelle poésie nègre et malgache de langue française, organizada por Léopold Sédar Senghor.

Em breve haverá mais no site: poemas e outros apetrechos. Para dar uma chegadinha, é só clicar no link aí embaixo.

www.jornaldepoesia.jor.br/leonardogoncalves.html

POEMACUMBA inaugurada

Apresentei, no dia 07 de novembro, como parte do Simpoesia III – na Casa das Rosas – a performance POEMACUMBA. Nesta proposição, vocalizo meus poemas que melhor resvalam no lado banto da língua. Orinquices, feitiços, ofós, curas, fetiches. Evocações de sons e vozes ancestrais para encher o ambiente de ngunzu, hal, axé.

Esta performance (anime) é o segundo trabalho onde coloco em prática os princípios do verbo atuante, que vêm sendo desenvolvidos por mim e pelo poetadançarino  Benjamin Abras.

Work in progress, pretendo parafernalizá-la para apresentar outras vezes e decepcionar outras plateias.

(foto: Erin Moure)

Simpoesia 2010

Começa nesta sexta, dia 05 de novembro, o Simpoesia 2010, III Simpósio de Poesia Contemporânea. Durante os três dias do evento, teremos a presença de poetas do Brasil e do mundo em meio a lançamentos de livros, leituras e performances. Entre os vários convidados, teremos Bruno Brum, Arjen Duinker (Holanda), Eva Batlickova (República Tcheca), Antônio Vicente Pietroforte, Ismar Tirelli, Claudio Daniel e muitos outros.

Eu também participarei. Apresentarei, no dia 07, a minha performance Poemacumba, às 18h.

O Simpoesia III acontece na Casa das Rosas e é organizado por Virna Teixeira. Para saber mais notícias, é no seguinte endereço:

www.simpoesia.com

Saudações à Dilma Roussef

Não quero esconder a minha felicidade em ter pela primeira vez uma mulher na presidência da república. Não que o gênero seja importante no caso. Por exemplo, imaginemos que a mulher eleita fosse a Roseana Sarney ou a Mônica Serra… acho que não cairia bem. E como diz meu amigo Ricardo Aleixo, o que muda é só o que há entre as pernas de quem manda.

Estou orgulhoso é de ter pela primeira vez uma ex-guerrilheira na presidência da república. Alguém de carne e osso que realmente lutou contra um regime que destruiu a memória do país, desapareceu, matou e desumanizou milhares de brasileiros. Que colocou o Brasil como capacho do capitalismo exploratório norteamericano. E outros tanto ques.

Mas não votei em Dilma Roussef por causa disto. Votei porque ela representa um projeto que tem melhorado o Brasil. Temos agora uma presidente habilidosa e capaz. A que melhor garantirá o desenvolvimento da democracia brasileira ainda tão frágil e mal resolvida em seus 21 aninhos de existência.

Em tempo: estar entusiasmado com a vitória de uma candidata, não significa manter-me cego às falcatruas e politicagens que todo governo até aqui tem feito. A oposição mais forte ao governo Lula não tem sido de grande força, com PSDB de um lado com sua política retrógrada e uma esquerda da esquerda com um radicalismo pouco inteligente, blindado. Mas acho que para ver a coisa melhorar, será necessário que cada vez mais nos saibamos políticos nós mesmos e façamos nós mesmos aquilo que queremos diferente. Em todo caso, a prática tem mostrado que lutar contra os desacertos de governos petistas tem resultado mais frutífero.

E agora, mãos à obra.