a crise do ensino

a crise do ensino não é uma crise do ensino; não há crise do ensino; jamais houve crise do ensino; as crises do ensino não são crises do ensino; elas são crises de vida; elas são crises de vida parciais, eminentes, que anunciam e acusam crises da vida geral; ou, se preferirmos, as crises de vida gerais, as crises de vida sociais agravam-se, misturam-se, culminam em crises do ensino que parecem particulares ou parciais, mas que, na realidade são totais, porque representam o conjunto da vida social; (…) quando uma sociedade não pode ensinar, não é, de modo algum, porque lhe falta eventualmente um aparelho ou uma indústria;

quando uma sociedade não pode ensinar, é porque essa sociedade não pode ensinar-se, é porque ela tem vergonha, é porque ela tem medo de ensinar-se a si própria; para toda a humanidade, ensinar, no fundo, é ensinar-se; uma sociedade que não ensina é uma sociedade que não se ama, que não se estima; e esse é justamente o caso da sociedade moderna.

charles péguy, 1904

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