Aimé Césaire 100 anos

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Para celebrar o centenário de Aimé Césaire no dia do seu aniversário (o dia 26 de junho, data que não gosto de deixar passar em branco), um poema dele em tradução fresca e úmida, publicado originalmente em seu livro Moi, laminaire.

dorsal bossal

existem vulcões que falecem
existem vulcões que permanecem
existem vulcões que só estão lá para ficar ao vento
existem vulcões loucos
existem vulcões bêbados à deriva
existem vulcões que vivem em matilhas e vigiam
existem vulcões cuja goela emerge de tempos em tempos
verdadeiros cães do mar
existem vulcões que velam a face sempre nas nuvens
existem vulcões esparramados como extenuados rinocerontes
em que se pode apalpar o bolso galáctico
existem vulcões pios que elevam monumentos à glória dos povos desaparecidos
existem vulcões vigilantes
vulcões que uivam
montando guarda às portas do Kraal dos povos adormecidos
existem vulcões fantásticos que aparecem
e desaparecem
(são jogos lemurianos)
não esquecer os que não são os menores
os vulcões que nenhuma dorsal jamais recuperou
que de noite os rancores se constroem
existem vulcões cuja forma da boca tem a medida exata da ferida antiga

(Aimé Césaire)

Il y a des volcans qui se meurent,
Il y a des volcans qui demeurent,
Il y a des volcans qui ne sont là que pour le vent,
Il y a des volcans fous,
Il y a des volcans ivres à la dérive,
Il y a des volcans qui vivent en meute et patrouille,
Il y a des volcans dont la gueule émerge de temps en temps, véritable chiens de la mer,
Il y a des volcans qui se voilent la face, toujours dans les nuages,
Il y a des volcans vautrés comme des rhinocéros fatigués dont on peut palpés la poche galactique
Il y a des volcans pieux, qui élèvent des monuments à la gloire des peuples disparus,
Il y a des volcans vigilants, des volcans qui aboies montant la garde au seuil du Kraal du peuple endormis,
Il y a des volcans fantasques, qui apparaissent et disparaissent, ce sont jeux lémuriens,
Il ne faut pas oublier, ceux qui ne sont pas des moindres, les volcans qu’aucune dorsales n’a jamais repérés
Et dont, la nuit les rancunes se construise
Il y a des volcans, dont l’embouchure, est à la mesure exacte de l’antique déchirure

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