marcelo terça nada!: xilogravura

esta xilo premonitória do marcelo terça-nada! me foi dada de presente em dezembro de 2000. publico-a aqui, de memória.

esta xilo premonitória do marcelo terça-nada! me foi dada de presente em dezembro de 2000. publico-a aqui, de memória.
lá pelos idos de 1998, este poema do marcelo terça-nada! freqüentava as paredes da minha casa. como ando fazendo escavações arqueológicas entre os meus papéis e batendo a poeira da memória, resolvi homenagear hoje o meu amigo com um poema dele mesmo.
saravá marcelo!
.
rosas vermelhas ou poema com os pés doendo
desce na rua da igreja
vira à esquerda na rua direita
sobe a terceira acolá
e passa cá
tavendo ali
atrás
do lado da república
não, não,
anda mais um pouco
naquela ladeira?
logo depois
do segundo casarão
um segundo
pára
(pra respirar)
sobe desce sobe
vira pula cai
é? não é
quebra na próxima
pega a travessa
passa as casas tortas
vira volta
mais nenhum quarteirão!
teima
sobe essa
aqui ali
uma bica ah!
sede morta
tenta aquela
quase fim
outra informação:
não temos rosas vermelhas nesta época do ano
(ouro preto, 31 de quase 1997)

veja mais no www.coletivoxepa.blogspot.com

leonardo costa braga, além de um grande amigo, sempre foi o meu fotógrafo favorito. ele participou, no último ano do 14º. salão da bahia, no mam, além de ter mandado suas fotografias para ser vistas na eslovênia, espanha, brasília, portugal e porto alegre, alemanha e rio de janeiro. há algum tempo atrás, ele publicou na revista caros amigos esse texto abaixo. e eu o reproduzo aqui com banzo das nossas antigas conversas nonsense enquanto assaltávamos o mundo com poesia em plena quarta-feira. saravá-evohé, leo!
TEMPO VIVO
por Leonardo Costa Braga
O Walter Firmo me pediu que escrevesse sobre a ilusão do meu olhar (falou isso como se estivesse me fotografando). Então confirmo o que ele viu, no ato e na palavra: photo-grafien (luz-escrita). Por isso, a criança e sua luz acusando a vida no corpo, alegria da célula dançando, explosão que nem a bomba de Hiroxima conseguiu apagar. Por isso, o velho e sua luz de dentro, seiva tão bela de tristezas que faz a árvore crescer, a delicadeza da compaixão de ainda estar junto de alguém. Por isso, a mãe que dá à luz, manuscrita do grito de amor que repercute na escravidão do universo. Sendo assim, fica muito difícil photo-grafar o adulto. Não está acordado nem dormindo, parece que está sonhando, como nos filmes do Kurosawa. Mas tento tirar uma photo, que geralmente vira um xerox. Uma cópia da realidade. Uma falsificação. Não brilha. E a photo-grafien, ao contrário do que se diz, não é uma imagem estática, é a certeza de que o tempo está sempre vivo, te olhando e esperando ser olhado. Com isso, lembro quando tinha 7 anos de idade, correndo na casa da minha tia e parando em frente a uma grande photo-grafien na parede: uma cadeira de balanço, um velho negro sentado, um saxofone, uma árvore. Um instante depois: um velho negro chorrindo baixinho e uma árvore deixando cair sua primeira semente no meio da sala onde me encontrava. A luz. A escrita. Minha ilusão.
Penso que a literatura e as demais formas de arte têm, como função básica a proposição de problemas, mais que de respostas, que contribuam para que a sociedade redefina os termos do debate sobre as condições de sua própria formação (entendida como um processo, insisto) e permanência. Em outras palavras, ao defender a ‘profissionalização’ do artista, aponto para um paradoxo, que é a hipótese de se ter, como conseqüência, a valorização daqueles cuja importância na sociedade é definida bem mais por sua movência, por sua entrega gozoza à errância e à deriva do que pela fixidez de suas posições. O artista, como o vejo, como o idealizo, talvez, é aquele que optará sempre pela perversão, pelo caminho torto, escuro, pleno de dobra e desvios. Pelo sim, pelo não, prefiro apostar que uma verdadeira política de apoio às artes passará, necessariamente, pela valorização dos criadores sem que se exija deles mais do que o produto desinteressado de sua imaginação. Luto, por isso mesmo, ciente dos riscos a que todos estaremos expostos. Mas me diga: não é bem pior não fazer nada? Se me desagrada a figura do escritor como um ‘funcionário da escrita’, tampouco me apraz a terrível imagem do cadáver de Cruz e Sousa, conduzido de Leopoldina, no interior de Minas, para o Rio de Janeiro, num trem de carga. É isso.
ricardo aleixo entrevistado no último dia 04 pelo jornalista carlos augusto lima, no diário do nordeste (fortaleza). para lê-la na íntegra: aqui

“campo coletivo” é uma exposição que acontece no mariantonia a partir de 27/3 de 2008, quinta-feira, às 20h e que reúne: poro (bh/mg), cine falcatrua (vitória/es), laranjas (pa/rs), gia (ssa/ba) e espaço coringa (sp/sp), sob curadoria de fernanda albuquerque e gabriela motta.
além da produção dos grupos, a exposição terá uma midiateca que agrupa materiais gráficos (panfletos, cartazes, registros e publicações produzidos pelos participantes), projeções de vídeo, ativações e biblioteca.
a midiateca conta ainda com uma máquina de xerox e um computador para que seu conteúdo possa ser copiado pelos visitantes (leve seu dvd).
para mais informações, leia a notícia completa no blogue do marcelo terça-nada!

o site da faca, de letícia, julius e fred já está se ajeitando. já dá pra curtir.
confira: www.naomaculeminhafaca.org
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convido vocês para lerem a minha primeira colaboração no site overmundo.
trata-se de uma entrevista com a professora patrícia mc quade, venho colaborando nos trabalhos que ela desenvolve nos últimos anos e achei que esse é um momento maduro para divulgar. opiniões intensas e muito afirmativas a respeito da educação e da literatura desde a infância. questões que merecem um destaque todo especial, para muito além do overmundo ou do mundo over.
quem quiser dar uma olhada, eis o endereço:
www.overmundo.com.br/entrevista
entrem, votem, comentem. e participem também do overmundo.
Conheci a poesia do mexicano Heriberto Yépez por acaso. Certa tarde chegou no meu endereço postal uma filipeta eletrônica de uma editora anarquista mexicana (Anortecer), divulgando um livro cujo título me intrigou no ato: Por una Poética Antes Del Paleolítico y Después de la Propaganda. Mandei uma mensagem de volta, propondo um escambo: eu mandaria meu livro Zona Branca e eles me mandariam o livro de Yépez. Meu faro não me decepcionou. Resolvi traduzir alguns dos poemas, irônicos, críticos, ultracontemporâneos.
VIOLENTAM UMA GAROTA
com uma vassoura
e a deixam sem roupa e sem pele
para untar-se com o creme ponds
que acabara de comprar no
supermercado do Estado
arrombada
em um beco que já viu de tudo
menos isso
uma mulher pelada
ou melhor
esfolada
violentada até pelos olhos
com as unhas arrebentadas
como janelas de um trailler
capotado na freeway
o beco já viu de tudo
menos isso
o que resta de uma mulher
com os lábios negros
todavia pensando
aonde terá caído
o batom
que há pouco
comprara
no Barateiro*