Salamalandro


guerrilha

PERPENDICULAR – ações para museu

outubro 26, 2009 por: leo gonçalves assuntos: agenda, anarquia, antropofagia, arte, guerrilha, performance apenas 1 comentrio →

perpendicularmuseu: próxima quarta, 28 de outubro a partir das 19h

PERPENDICULAR vem se configurando como um projeto de ações artísticas que tem como intenção intervir no espaço instituído da arte e, também, ativar redes colaborativas de expressão que ampliem as relações entre instâncias fechadas.

PERPENDICULAR – ações para museu, acontecerá nos arredores do Museu Inimá de Paula.
Potencializando o espaço aberto que circunda o Museu e instaurando novas paisagens, o evento terá duração de 3 horas. No momento, o Museu Inimá de Paula expõe Vik Muniz.

As ações acontecerão na Rua da Bahia – entre Alvares Cabral e Augusto de Lima. Avenida Alvares Cabral – entre Bahia e Augusto de Lima e arredores – CENTRO de BH.

*Para mais informações: www.perpendicularmuseu.blogspot.com

MIP2 – Sobreabismos

agosto 09, 2009 por: leo gonçalves assuntos: anarquia, geopoética, guerrilha, normalpatia, performance, radicalidade, terrorismo poético 2 comentrios →

 

viaduto santa tereza

Quem já ouviu falar do viaduto Santa Tereza, pode pensar que se trata de uma obra prima da construção civil. Mas não é. É apenas um dos muitos lugares inóspitos da cidade, construído originalmente para a travessia de carros e pedestres. Não é longo: caminhando com calma, pode-se atravessá-lo em 10 minutos. Seus famosos arcos e os postes antigos que o iluminam dão-lhe um ar pitoresco, e pode ser animado pela imensa faixa de céu que se abre acima, o sol que se esconde à esquerda, atrás da praça da estação, e a feia linha do metrô que passa por baixo. Também passa embaixo o rio Arrudas que, de tão feio e fedorento, foi coberto de cimento e asfalto. Olhando na extremidade que está conectada ao centro, vemos muitos prédios. E por todos os lados, asfalto e tráfego. Embora por ali passe sempre muita gente, sua função é a de unir os bairros da região leste de Belo Horizonte ao centro, garantindo o tráfego funcional do município.

A proposição se chama Sobreabismos. Duas bacias dispostas lado a lado em cada extremidade da calçada direita. Em uma delas, água. Na outra, uma combinação de pigmentos que lembram algum minério extraído das minas gerais. A performer Cinthia Mendonça pisa na bacia com água, molha bem os pés descalços e depois se deixa sujar com o pó amarelo-avermelhado da outra bacia. Segue então seus passos até o outro lado da ponte. O trabalho, que faz parte da programação da MIP2 (Movimentação Internacional de Performance), teve seu início na sexta-feira, dia 07 de agosto às 14h e foi até o pôr do sol. No percurso, observações, contatos humanos, encontros previsíveis e imprevisíveis, diálogos, descobertas, um rastro colorido no chão e a teimosa vontade da artista de ser elo entre os dois lados do incontornável precipício que habita o indivíduo da cidade grande.

Às 16:30, começa outra performance, desta vez na praça da estação. Durante duas horas e meia, o grupo Xepa realiza a Edificação: muros construídos com tijolos limpos cor laranja. Os tijolos, encaixados um por um pelos performers, não levam cimento e são colocados num ângulo levemente deslocado até o ponto de cair. Por alguns instantes, a simbologia de dureza e rigidez é forçada ao ponto de tornar-se movimento. O resultado final é um conjunto de esculturas-instalações que fazem da cinzenta praça um lugar apocalíptico e colorido por onde o passante pode sentir que está ou entre barricadas ou no meio de um quadro surrealista. Infelizmente, por questão de tempo, só pude ver esse trabalho no momento em que os realizadores já não estavam presentes. Mas, enquanto passava por ali, por volta das 19h, por entre as muretas caídas e abandonadas, ainda pairavam no ar algumas reflexões.

A palestrante portuguesa Suzana Vaz, comentou a idéia de Joseph Beuys de que “todas as pessoas são artistas” para concluir algo mais ou menos assim: “Quanto a mim, acho que a maioria das pessoas atualmente sofre de uma certa normalpatia que as leva a não entender nada que não caiba nos moldes do sistema consumista. É claro que essa minha opinião não está livre de discordâncias, mas assim é como eu vejo”.

Em Belo Horizonte, nesta época do ano, o sol se põe antes das 18h. Nesse horário, o centro está repleto de pessoas que vão e vêm em busca das conduções que as levarão de volta para casa. Na praça da estação, especialmente, há muitos pontos de ônibus que levam até os bairros mais periféricos da cidade. É realmente um grande e rápido fluxo de gente. E, exatamente por esta razão, uma operadora de telefonia móvel resolveu instalar ali um ruidoso balão dirigível vermelho com a notícia de sua mais nova promoção, eclipsando as Edificações do Xepa. E, enquanto eu caminhava pela populosa praça, onde as pessoas não podiam deixar de olhar para o imenso outdoor que a todo momento ameaçava alçar vôo, eu sentia a melancolia de quem anda sobre abismos. Os mesmos e incontornáveis abismos que distanciam de ações propositivas como estas e muitas outras que participam da MIP2, as imensas procissões cotidianas do consumismo e da normalpatia.

flávio nickel e seus poemas antimísseis

março 03, 2009 por: leo gonçalves assuntos: guerrilha, poesia, terrorismo poético 4 comentrios →

o lançamento do WTC Babel S. A. foi um acontecimento especial. muita gente boa, bons bate-papos, uma cachacinha para acompanhar e muita conspiração prometida para o ano de 2009 em pleno 19 de janeiro.

estava entre os convidados, meu amigo flávio nickel, com quem já andamos ensaiando umas traduções da poesia de allen ginsberg.

na saída, ele me disparou um elogio e me entregou um envelope. “leia isso”, e se foi. são os geek poemas. uma série de poemas visuais anti-mísseis baseados em linguagem html e em outras parafernálias genias. vale a pena conferir:

by flavio nickel
by flavio nickel
by flavio nickel
by flavio nickel

o flávio escreve no favela cultural: www.favelacultura.blogspot.com

poro: radicalidade e delicadeza

fevereiro 14, 2009 por: leo gonçalves assuntos: arte, guerrilha, política, poro, radicalidade, vanguarda 2 comentrios →

grupo poro

proposição do poro para o vac

radicalidade = tomar as coisas pela raiz (k. marx)

o verão arte contemporânea este ano está inspirador. 2009 começa subversivo. nesta versão, o poro (composto pela dupla marcelo terça nada! e brígida campbell) participa com suas intervenções radical-delicadas. pequenas inserções de poesiarte em alguns cantos inesperados. um tropeço e você se depara com uma frase iluminada: “veja através”, “assista sua máquina de lavar como se fosse um vídeo”, e por aí vai.

ou então, numa parede inesperada na esquina da sua casa, dessas que você acostumou a ver descascar-se pela ação da natureza ou ficarem cobertas de pixações, você vê de repente uma série de azulejos daqueles que você já não vê desde a sua infância.

pequenas inserções de poesia no cotidiano que pouco a pouco vão reconstruindo o sentido da beleza na vida urbana. alguém ao meu lado me olha com olhar estranho e me faz a pergunta que me fazem sempre: “e isso é arte?”, ao que eu respondo sem palavras: “da mais fina que há”. eu acho que isso eu nem precisava falar, basta ver (mas acho que esse tipo de pergunta é daquelas que fazem um caboclo fingir que não entende o que está vendo). por isso a boca só diz: “e isso importa?”

veja o trabalho do poro no site: www.poro.redezero.org

meza vazia: poro + gia + caza vazia + gom

fevereiro 13, 2009 por: leo gonçalves assuntos: antropofagia, arte, guerrilha, inutensílios, não-poema, poro, radicalidade, terrorismo poético deixe seu comentrio →

imagem: brigida campbell / texto: marcelo terça-nada!

imagem: brigida campbell / texto: marcelo terça-nada!

mais notícias, dicas, informações e explicações sobre como chegar, no blogue do grupo KazaVazia:
www.kazavazia8.blogspot.com

deu hoje no hoje em dia

janeiro 17, 2009 por: leo gonçalves assuntos: WTC BABEL S. A., agenda, antropofagia, guerrilha, livros, outra imprensa, poesia 2 comentrios →

Leonardo Gonçalves mescla poesia e geopolítica

Alécio Cunha
REPÓRTER

Nesta segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, tem seu último dia de poder na Casa Branca. No dia seguinte, toma posse o democrata Barack Obama, primeiro presidente negro a ocupar este cargo. O poeta belo-horizontino Leonardo Gonçalves, tradutor de Juan Gelman, William Blake e Molière, aproveita o último instante de Bush na presidência norte-americana para lançar um livro-bomba.

A plaquete “WTC Babel S.A”, publicada pelas Edições Barbárie, será lançada segunda, às 19 h, na sede da Cia. da Farsa (Rua dos Caetés, 616. Centro), com direiro à performance “No Fundo Todos Querem Alcançar o Céu”, gestada pelo poeta numa interação entre texto, voz e imagens.

Os versos deste livro foram elaborados no decorrer do ano passado e são uma provocante reflexão sobre os rumos da nação dita mais poderosa do planeta, sobretudo após a explosão do World Trade Center, em Nov a Iorque, e a reação bélica promovida por George W. Bush e seus asseclas, invadindo o Afeganistão e o Iraque.

“Eu cresci vendo imagens fortes da Segunda Guerra Mudial, fotos de corpos no Holocausto nazista, da carnificina nos campos de batalha. Estra nhei a ausência de corpos no World Trade Center. Houve censura, nenhum corpo foi mostrado. Priorizou-se a imagem da explosão, do choque dos aviões, a força do simulacro, longe do real, bem próxima da sociedade do espetáculo”, frisa Gonçalves.

O incômodo gerou o longo poema, que começa remetendo o leitor ao universo onírico de Walt Whitman, poeta criador de uma linguagem fundante da literatura norte-americana, em textos como “Eu Canto o Corpo Elétrico”: “americanos cantam o corpo elétrico/e quem cantará o corpo eletrônico bytes bits pixels? qual ciborgue tomará a palavra no terceiro milênio?já existem as máquinas de pensar/e quem fabricará a máquina de fazer poemas?’, indaga o autor.

Influenciado principalmente pelos versos livres, pulsantes e, claro, essencialmente políticos da cena beat norte-americana, em especial, Allen Ginsberg, autor de “Uivo’ e “A Queda da América”, Leonardo Gonçalves está muito satisfeito com o resultado desse livro. “Há um trabalho muito cuidadoso com a linguagem, está bem mais evoluído do que trabalhos anteriores meus”, afirma.

“WTC Babel S.A” deve ser lido como um contundente grito de protesto contra os abusos ocorridos na política do presidente George W. Bush. “É o resultado de experimentações formais, um poema híbrido, repleto de imagens do mundo contemporâneo, que vão da sátira mordaz ao mais vivo apelo por um mundo mais human”, salienta Gonçalves.

O poeta conta que escreveu este livro já pensando em sua estrutura verbal, sem, em nenhum momento, deixar de lado a preocupação com a palavra escrita. “Eu elaborei o livro imaginando como seria seu tempo exato de leitura”, frisa, assumindo a sempre desejável conexão entre o oral e o escritural.

Entusisasta da obra de Leonardo Gonçalves, o crítico literário Fábio Lucas (“Mineiranças”, ‘Do Barroco ao Moderno”) assim se expressou sobre os versos potentes do autor de 33 anos. “ É um poema-apelo a clamar pelos olhos abertos e pelos ouvidos atentos, a fim de bem colher as imagens do mundo cruel, travestido em boletim publicitário. A linguagem multicentrada em vários idiomas representa valiosa sátira da subcultura globalizada, que ensina o culto de bezerros-de-ouro plantados nos recantos do planeta”, escreve.

Leonardo Gonçalves não esconde sua postura cética diante da entrada em cena, a partir de terça-feira, do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. “Foi uma grande conquista no plano simbólico, mas não podemos nos esquecer que ele continuará governando os mesmos milhões de americanos que, um dia, votaram em Bush”, frisa. “Os Estados Unidos são uma nação puritana e é falsa a idéia que eles vendem de que lá é a terra da liberdade. Não existiu durante o governo de George W. Bush o direito pleno às liberdade individuais”, salienta, lembrando o episódio nefasto das torturas na prisão de Guantamano.

Num dos poemas mais instigantes de seu livro, Leonardo Gonçalves mostra como seus versos podem estar em plena sintonia com o mundo: ‘eu canto o fundo falso/eu sou o fundo falso/eu sou a fechadura/ e a chave do mistério divino/eu sou o mistério divino/por isso canto o corpo histérico/e rebolados das groupies desvairadas/enlouquecidas por minha saliva/que espalho sobre o chão do terreiro/e inauguro com elas/o meu próprio mistério/pois é mister cantar”, assegura o autor, consciente de que lirismo e contundência não são vocábulos excludentes neste planeta.

WTC BABEL S. A.

janeiro 15, 2009 por: leo gonçalves assuntos: WTC BABEL S. A., antropofagia, guerrilha, leo gonçalves, livros, manifesto, não-poema, performance, poesia 5 comentrios →

lançamento do livro WTC BABEL S. A., de Leo Gonçalves, dia 19/01 às 19:01 na Cia. da Farsa (Rua Caetés, 616)

lançamento do livro WTC BABEL S. A., de Leo Gonçalves, dia 19/01 às 19:01 na Cia. da Farsa (Rua Caetés, 616)

o que dizia ginsberg em 1992

dezembro 14, 2008 por: leo gonçalves assuntos: beat, guerrilha, política 2 comentrios →

o poeta norte-americano allen ginsberg

os eua, que são só uma parte da américa, chegaram a um ponto violento em termos de consumo, arrogância e hipocrisia. a revolução high tech nos trouxe inúmeras doenças e problemas, como o aumento da temperatura devido aos buracos da camada de ozônio, criou inúmeras doenças pelo planeta, que hoje está com aids. estamos numa enrascada. eu usaria uma metáfora para explicar a situação em que estamos vivendo hoje: os eua são como um alcoólatra que acabou de encher a cara e está tomando outro drinque e fica acusando todo mundo de criticar seu vício. enquanto isso, a família e os outros fingem que não vêem, numa extrema negação da violência e do mal provocado por este indivíduo. o mesmo acontece com os meios de comunicação: eles tentam encobrir os estragos e negar o que está acontecendo. há uma atitude de recusa em ver a “coisa real” e é isso que esse triunfalismo e essa crise moral significam. você pode usar todas as palavras que têm alguma relação com o alcoolismo para explicar a situação atual: sentimentos reprimidos, negação, violência, decadência física e mental, vício, dano, co-dependência. (mais…)

lançamento: revista roda nº 6

novembro 16, 2008 por: leo gonçalves assuntos: aimé césaire, antropofagia, guerrilha, leo gonçalves, lira, literatura, livros, léopold sédar senghor, negritude, revistas, ricardo aleixo 5 comentrios →

acho que ainda dá tempo: será lançada hoje a revista roda nº 6, comandada pelo mestre-sala ricardo aleixo. no novo número, uma porção de belezuras: homenagem aos 70 anos de nascimento e 40 de poesia e provocaçãm de sebastião nunes. na homenagem, um dossiê com entrevista, poemas, comentários de caras como bruno brum, glauco mattoso, ademir assunção. além de um poema de affonso ávila com o nome de “são sebastião da bocaiúva”. para quem já conhece a poesia desse cara que já é considerado um mestre de todas as gerações que vieram depois dele. além disso, a revista roda traz poemas do angolano abreu paxe, o cubano nicolás guillén, o mineiro paulo kauim e muito mais.

e em meio a este “muito mais”: o meu ensaio “os sessenta anos da anthologie – um livro inventa o presente“. uma espécie de homenagem aos 60 anos da primeira edição da anthologie de la nouvelle poésie nègre et malgache de langue française [antologia da nova poesia negra e malgaxe de língua francesa] organizada em 1948 pelo poeta e (então futuro) presidente do senegal léopold sédar senghor. meu ensaio traz também traduções de alguns poemas presentes na anthologie.

o lançamento acontece hoje, dia 16 de novembro, às 18h, no estande do Lira, instalado no 9º encontro das literaturas, no chevrolet hall.

poema passageiro: mostra sesc artes 08

outubro 11, 2008 por: leo gonçalves assuntos: agenda, guerrilha, leo gonçalves, poesia, poesia contemporânea, política, radicalidade, terrorismo poético, vídeo poema apenas 1 comentrio →

começou hoje, na cidade de são paulo, a proposição “poema passageiro”, inventada por ricardo silveira. e vai até o dia 20 de outubro. serão 9 poetas, 1 por dia, exibindo seus vídeo-poemas a cada hora nas tvs instaladas em alguns ônibus da cidade. além disto, esta proposição ganhou um “bônus”: os mesmos poemas estarão na linha verde do metrô e nas livrarias nobel e siciliano. a programação é a seguinte:

11/10 chacal
12/10 rodrigo garcia lopes
13/10 ricardo domeneck
14/10 marcelo montenegro
15/10 ricardo silveira
16/10 angelica freitas
17/10 bruna beber
18/10 marcelo sahea
19/10 ana rüsche
20/10 leo gonçalves

  • arquivos