Salamalandro


polêmica

os blogues e o inconformismo

Junho 23, 2008 por: leo gonçalves assuntos: américa latina, bloguesfera, guerrilha, jerome rothenberg, polêmica, política, radicalidade deixe seu comentário →

é uma grande alegria poder de vez em quando folhear o blogue de caetano veloso, obra em progresso. como eu disse numa postagem anterior, ele lança lá algumas pérolas-bomba muito felizes. há algum tempo atrás, eu costumava ouvir pessoas reclamarem que caetano é genial quando compõe e um fiasco quando abre a boca. de duas uma: ou caetano mudou ou aquelas pessoas estavam equivocadas. o que vemos lá no blogue dele é um cara polêmico, engraçado e mordaz - com um olho clínico-crítico para o fino de problemas mundiais muito contemporâneos e eternos como o racismo e a opressão. como é o caso da querela que podemos ler exatamente no obra em progresso em torno à canção “base guantânamo”, composta recentemente por ele.

nos últimos dias, caetano chamou a atenção para dois outros blogues, talvez não tão charmosos quanto o dele, mas ainda mais interessantes: são os blogues do casal cubano yoani sánchez (que ganhou com o seu blogue generación y o prêmio ortega y gasset de jornalismo digital) e reinaldo escobar (a foto acima foi colhida no blogue dele). é lá que ficamos sabendo que o excelentíssimo ex-ditador fidel castro, depois de ter deixado o poder passou a dedicar-se à escrita (uma pena que ele não quis aprender a escrever poemas ou conhecer a etnopoesia de jerome rothenberg para aplicar em seus escritos). parece que a despedida do poder, deu aos cubanos (incluindo o fidel) o desejo de botar a boca no tombone. e no rol dos protestos sobra pra todo mundo, incluindo o caetano. acho que palavras podem ser usadas para fazer voar ou para oprimir. para saber quem usa como, a dica é espiar lá. in loco. nos devidos blogues.

www.obraemprogresso.com.br
www.desdecuba.com/generaciony
www.desdecuba.com/reinaldoescobar

polemizar o não polemizar?

Abril 29, 2008 por: leo gonçalves assuntos: manifesto, polêmica 3 comentários →

o esquema montado por ricardo silveira para resumir a polêmica

há alguns dias eu li um texto no blogue da letícia (poesia e mercadoria) que me deixou bem pensativo. pensei em comentar ou publicar algo aqui neste blogue, mas não me dei o trabalho. somente alguns dias depois, o bruno, no seu bloguetour se deparou com o texto e resolveu comentar lá, no sabor graxa.

faço um pequeno resumo: letícia acha que poesia não é mercadoria e que é um absurdo pensar que alguém queira preencher “poeta” nos dados pessoais. bruno também não gosta desse papo sobre “dados pessoais”, mas discorda quanto à forma de se discutir se poesia vende ou não vende. o assunto reverberou: e outro amigo, o marcelo sahea deixou lá no poesilha o seu comentário. teve também o ricardo silveira (veja o esquema inventado por ele, acima) e o makely que deram as suas beliscadinhas.

se o assunto fosse novo e não provocasse ninguém, o papo teria se encerrado lá no blogue da letícia, mas como todo poeta tem que arranjar um jeito de sobreviver sem deixar de empregar uma imensa parte do seu tempo em poesia, a questão deu pano pra manga. e acho que deveria dar ainda mais. portanto, segue a minha colaboração:

1. dizer que um poeta tem a pretensão de escrever “poeta” nos dados pessoais é um disparate, que eu mesmo já disparei por aí muitas vezes, apenas para causar efeito. isso está na cara. a pretensa profissão “poeta”, embora uma das mais antigas (quase tão antiga quanto a prostituição), não entrou para o capitalismo. e nem poderia. já que a lógica inventada no mundo da grana é diametralmente oposta à idéia de se gastar o tempo com algo sem mais valia. citando a letícia: “acredito que o trecho do leminski tenha relação com a idéia de que a finalidade da poesia não é o mercado.”

gosto de contar histórias: já perguntei a muito poeta sobre essa questão que diz respeito à sua colocação diante de uma sociedade que te quer sempre um especificialista. o antônio cícero me disse que às vezes (em algumas raras vezes) preenche lá, um pouco sem graça (ele é bem reservado), não a palavra “poeta, mas “escritor”. segundo ele, as pessoas normalmente olham de lado, entre admirativas e desconfiadas. mas ele também me contou que joan brossa, mais para o final da vida, recebia uma espécie de salário vitalício da prefeitura de barcelona, apenas por ser o que ele era. hoje eu fico pensando o que poetas como allen ginsberg e waly salomão respondiam quando eram perguntados sobre o assunto.

(more…)