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	<title>SALAMALANDRO</title>
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	<description>poesia contra a moral e os bons costumes :: anotações de leo gonçalves</description>
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		<title>Nada a dizer</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Mar 2010 13:50:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo gonçalves</dc:creator>
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		<category><![CDATA[poesia contemporânea]]></category>
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		<description><![CDATA[
O que interessa a Sahea é a criação de significados carregados de uma sutilíssima crítica ao status neutro e esvaziado que a linguagem adquiriu em nossos dias.
Marcelo Ariel

Marcelo Sahea está com livro novo. Ainda não li, mas o título se parece muito com as palavras que ouvi de Marcelo há um ano atrás no bate-papo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-1604 aligncenter" title="Nada a dizer. Novo livro de Marcelo Sahea lançado pela editora Annablume" src="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2010/03/nadaadizer.jpg" alt="" width="267" height="400" /></p>
<blockquote><p>O que interessa a Sahea é a criação de significados carregados de uma sutilíssima crítica ao status neutro e esvaziado que a linguagem adquiriu em nossos dias.</p>
<p style="text-align: right;">Marcelo Ariel</p>
</blockquote>
<p>Marcelo Sahea está com<a href="http://poesilha.blogspot.com/2010/03/nada-dizer.html" target="_blank"> livro novo</a>. Ainda não li, mas o título se parece muito com as palavras que ouvi de Marcelo há um ano atrás no bate-papo após sua performance no Oi Futuro. Algo como &#8220;quanto mais você me entende, menos entendo&#8221;. Seu novo livro sai pela editora <a href="http://www.annablume.com.br/comercio/product_info.php?cPath=52&amp;products_id=1336" target="_blank">AnnaBlume </a>e em breve deve estar nas livrarias. Quanto a mim, não vejo a hora de ter um exemplar em mãos.</p>
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		<title>Para acabar com o juízo dos críticos</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Mar 2010 04:32:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo gonçalves</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Sempre tive um pé atrás com as críticas que topam manifestar juízos sobre o que presta e o que não presta. Tenho para mim que toda teoria que parte de um único ponto de vista acaba por se tornar um unívoca e, por isso mesmo, equívoca. Aprendi muito cedo que o projeto poético alheio deve [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1585" title="tudo isso não está nada mal. mas qual! eles não usam calças. (michel de montaigne)" src="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2010/03/Debret15a.jpg" alt="" width="478" height="344" /></p>
<p>Sempre tive um pé atrás com as críticas que topam manifestar juízos sobre o que presta e o que não presta. Tenho para mim que toda teoria que parte de um único ponto de vista acaba por se tornar um unívoca e, por isso mesmo, equívoca. Aprendi muito cedo que o projeto poético alheio deve ser respeitado, mesmo que eu não goste dos seus princípios ou os seus fins. Cada pingo no seu i, alguns iis com seus acentos. Repito o lugar comum de que “não gosto de poetas, nem de poesia, gosto de poemas”. Mas não serei eu a tomar partido ante o que supostamente presta ou não presta. Uma base teórica costuma ter a pretensão de basear-se em conceitos. Todo bom conceito precisa funcionar como uma ferramenta de pensar. Mas se um conceito segue sendo usado para engendrar juízos de valor, ele logo se tornará um pré-conceito. Na verdade, todo juízo de valor, feio ou bonito, bom ou ruim é sempre um preconceito, um pré-juizo que nada tem a ver com a arte em si.</p>
<p>A chegada da obra de Ezra Pound na cultura brasileira, nos anos 50 e 60 através dos concretistas e de Mário Faustino foi providencial. Nos dias de hoje, o discurso insistentemente neopoundiano está obsoleto e mal utilizado. E não é culpa das idéias dele. É que elas cansaram de servir a tudo. Vivemos uma época de tantas incertezas que ficamos sem perceber que neste assunto nada mais foi investigado, proposto, acrescentado. Aprendemos muito pouco sobre Pound depois dos concretos. Falar dele em língua portuguesa é lê-lo fora de seu contexto. Seria necessário pensar em toda a poesia de língua inglesa desde sua época até os dias de hoje. Dos beats ao slam, muita coisa passou desapercebida no lado debaixo do equador. A <em>language poetry </em>é apenas uma manifestação tímida e localizada em meio ao turbilhão revolucionário da poesia de língua de Blake, e já temos Jerome Rothenberg que colocou recentemente os poetas xamãs esquimós do Canadá ao lado de Augusto de Campos no setor destinado à poesia visual em sua antologia <em>Poems for the millenium</em>. Noto que, com o tempo, os críticos se apegam aos juízos e se esquecem que Pound queria uma <a href="http://www.salamalandro.redezero.org/um-titulo-nao-e-um-livro/" target="_blank">poesia sem literatura</a>, que ele incitava os artistas da língua a escrever no idioma vernacular falado (não será exatamente o que Mallarmé também sonha quando diz em seu poema, já com a carne triste depois de haver lido todos os livros e pensado seriamente em fugir: “entends le chant des mâtelots [ouve a canção dos marinheiros]”?) e que o seu paideuma, (ou mãedeuma) era proposto apenas como um dentre os muitos possíveis ou não passava de filhodeuma.<br />
O discurso dos ditos “de vanguarda” está gagá. Até mesmo a pretensa “tradição da ruptura” de Octavio Paz, (aquela teoria segundo a qual a tradição da poesia moderna consiste em romper com o passado, ou seja, a tradição de romper com a tradição) já perdeu o sentido. Afinal, romper com o que? Com que tradição podemos romper se já não nos apegamos a nenhuma. Se Bauman está certo em dizer que vivemos em “tempos líquidos”, vamos quebrar o quê?</p>
<p>Não é de hoje que leio poetas-críticos respeitáveis que não conseguem esquecer as lições dos concretos. Em plena era pós-2000, ainda alardeiam os mesmos adágios que Haroldo e Augusto de Campos andaram repetindo com maestria ao longo dos últimos quase 60 anos (!) mas com uma nota decadente, já que estão ocupados mais que tudo em fazer com que a literatura (a poesia incluída como literatura) entre pelo cânone. Procuram não-linearidade na criação literária, acham proibido falar de qualquer coisa que não seja o próprio poema no poema, negam a importância do idioma vernacular e esperam grandes pretensões do mero ato de fazer poesia por fazer. Para completar, veneram a importância das ditas “grandes obras” e citam poetas de prestígio unânime, “canonizados”. Ou seja, querendo se dizer amantes do difícil, acabam recorrendo ao fácil (existe coisa mais fácil que aceitar como “bom” aquilo que já é inquestionadamente aceito por todos?).</p>
<p>Todas as grandes descobertas passam por um primeiro momento em que ficam acessíveis apenas aos pesquisadores mais avançados e depois se tornam de uso comum. Os irmãos Campos foram vanguarda nos anos 50 e mantiveram uma chama acesa durante décadas num país fadado à burrice. Mas hoje em dia, eles são leitura obrigatória do jardim de infância de qualquer poeta brasileiro que se preze. Repetir essas teorias como se fossem a grande resposta depois de haver alcançado a idade adulta, é sintoma de alguma paranóia ou então estamos diante de um estranho conservadorismo, justo ali onde o poeta se quer mais avançado. Pois não foram os próprios poetas concretistas que a princípios dos anos 80 exortavam seus discípulos Paulo Leminski, Waly Salomão, Antônio Risério, Régis Bonvicino a romper com o concretismo?</p>
<p>É preciso acabar com o julgamento e a sanha classificatória dos literaturistas. Isto sim seria romper. O que podemos depreender de todo o processo civilizatório da cultura brasileira até aqui é que fomos, na maior parte do tempo, um povo reverente a tudo o que cremos ser <em>la crème</em> da civilização. No intuito de “fazer parte”, nós brasileiros acabamos boiando. Nos esforçamos incansavelmente para negar nossa barbárie que é, a bem da verdade, nosso maior patrimônio e o que nos coloca na vanguarda dos povos, ao lado dos bororo, os hotentotes, os taraumaras, os maori. Para quê se esconder por detrás das palavras? Se continuarmos a perder tanto tempo com juízos, escolhas do que é bom ou não, classificações e etiquetamentos, logo chegaremos ao século XIX ou ao manicânone. Convenhamos: a linearidade só pode ser um problema para aqueles que têm fé na linearidade de suas vidas. A poesia, “religião original da humanidade” (Novalis) é liberdade da linguagem (Leminski). E liberdade é ter todas as opções à mão, sem interditos. Se é para seguir o pensamento crítico de Ezra Pound, então por favor, que se possa pelo menos “<em>make it new</em>”.</p>
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		<title>Não gosto de plágio</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Mar 2010 19:33:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo gonçalves</dc:creator>
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		<category><![CDATA[tradução]]></category>

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Mês passado eu li isto no blogue &#8220;Não gosto de plágio&#8221;, comandado pela corajosa Denise Bottmann:
numa ação movida pela editora landmark e pelo sr. fábio cyrino, estou sendo processada por pretensas calúnias contra os reclamantes, por ter publicado no nãogostodeplágio provas mostrando a prática de plágio nas traduções de persuasão, de jane austen, e o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2010/03/bf26q8.jpg.png"><img class="size-full wp-image-1573 aligncenter" title="bf26q8.jpg" src="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2010/03/bf26q8.jpg.png" alt="" width="250" height="300" /></a></p>
<p>Mês passado eu li isto no blogue &#8220;Não gosto de plágio&#8221;, comandado pela corajosa Denise Bottmann:</p>
<blockquote><p>numa ação movida pela editora landmark e pelo sr. fábio cyrino, estou sendo processada por pretensas calúnias contra os reclamantes, por ter publicado no nãogostodeplágio provas mostrando a prática de plágio nas traduções de persuasão, de jane austen, e o morro dos ventos uivantes, de emily brontë, ambas publicadas pela referida editora em 2007.</p>
<p>além de vultosa indenização por pretensos danos morais e materiais, os reclamantes solicitaram:<br />
- &#8220;publicidade restrita&#8221;, isto é, que o processo corresse em sigilo de justiça,<br />
- a remoção do blog nãogostodeplágio da internet, invocando o &#8220;direito de esquecimento&#8221;,<br />
- &#8220;antecipação dos efeitos da tutela de mérito&#8221;, isto é, que a justiça determinasse a remoção imediata do blog antes da avaliação do mérito da ação impetrada.</p></blockquote>
<p>No Brasil existe um curioso costume: interessadas em participar do incrível e promissor &#8220;mercado editorial brasileiro&#8221;, algumas editoras lançam clássicos da literatura universal cujo autor já se tornou Domínio Público (para não ter que pagar seus direitos autorais, mas principalmente para não serem processadas pelos detentores dos direitos) em traduções piratas.</p>
<p>- Traduções piratas?</p>
<p>- Sim. Veja como funciona: alguém vai até à livraria, encontra um livro traduzido e parafraseia palavra por palavra até tornar o trabalho do tradutor aparentemente irreconhecível. Depois publica a tradução sob um pseudônimo. Assim economizam uma parte da grana necessária para a edição. Depois fazem ainda uma publicação mais ou menos, organizam uma tiragem altíssima de modo a economizar bastante na gráfica e alcançam um preço unitário bem baixo. O resultado é uma obra clássica barata, pela qual o público vai facilmente se interessar sem muitos questionamentos. Afinal quem se interessa por saber quem são os tradutores de um livro? Muito pouca gente.</p>
<p>A lista de editoras desse tipo não é pequena. A Landmark é apenas uma das muitas. A Martin Claret é a mais conhecida. Mas temos também a Madras, a Hemus e por aí vai. O que fazer para se previnir? É sempre muito difícil julgar na hora da compra.</p>
<p>Há alguns anos, Denise Bottmann vem prestando um serviço incrível: compara, coteja, divulga traduções confiáveis e desconfiáveis. Tudo lá no <a href="http://naogostodeplagio.blogspot.com/" target="_blank">nãogostodeplágio</a>. Um verdadeiro exercício de paciência e persistência na arte de desmascarar.</p>
<p>Me parece incrível que tenha tardado tanto uma reação por parte das editoras. A petição do senhor Fábio Cyrino, por outro lado, foi um verdadeiro naufrágio. Logo em seguida, Denise (e <a href="http://janeausten.com.br/">Raquel Sallaberry</a>, também incluída no processo), foram agraciadas por milhares de manifestações a seu favor. Blogues pelo país afora, matérias na imprensa, manifestos e petições. Confesso que este último fato acalmou meu pessimismo.</p>
<p>Veja mais notícias nos enlaces abaixo:</p>
<p><a href="http://naogostodeplagio.blogspot.com/" target="_blank">www.naogostodeplagio.blogspot.com</a></p>
<p><a href="http://apoiodenise.wordpress.com/" target="_blank">www.apoiodenise.wordpress.com</a></p>
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		<title>Vídeo documentário sobre o Poro</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Mar 2010 00:22:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[anarquia]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
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		<category><![CDATA[terrorismo poético]]></category>
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Ações efêmeras. Ou seja, ações sutis. Delicadas ações que podem passar desapercebidas. &#8220;A pessoa bruta não liga pra nuance das coisas&#8221; (mautner). Pequenas doses de beleza em paredes, em folhas, enxurradas. Desde 2002 inventando intervenções nos espaços públicos, o Poro acaba de lançar o seu primeiro documentário. Produzido em parceria com a Rede Jovem de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="500" height="375"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=8725870&#038;server=vimeo.com&#038;show_title=1&#038;show_byline=1&#038;show_portrait=1&#038;color=00ADEF&#038;fullscreen=1" /><embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=8725870&#038;server=vimeo.com&#038;show_title=1&#038;show_byline=1&#038;show_portrait=1&#038;color=00ADEF&#038;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="500" height="375"></embed></object></p>
<p>Ações efêmeras. Ou seja, ações sutis. Delicadas ações que podem passar desapercebidas. &#8220;A pessoa bruta não liga pra nuance das coisas&#8221; (mautner). Pequenas doses de beleza em paredes, em folhas, enxurradas. Desde 2002 inventando intervenções nos espaços públicos, o Poro acaba de lançar o seu primeiro documentário. Produzido em parceria com a Rede Jovem de Cidadania, o filme de 22 minutos mostra várias das principais ações que o Poro vem desenvolvendo nos últimos 8 anos.</p>
<p>Para saber mais, é no blogue oficial do poro:<br />
<a href="http://poro.redezero.org/video/documentario/" target="_blank"> http://poro.redezero.org/video/documentario/</a></p>
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		<title>Um poema de Juan Gelman</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Feb 2010 00:41:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[américa latina]]></category>
		<category><![CDATA[juan gelman]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[tradução]]></category>

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		<description><![CDATA[À PINTURA
Dénise trabalha no Musée du Louvre buffet do 1º piso,
entre mesas ou ingleses ela conduz seu corpo com toda a decisão,
sua bunda é mais sonora que os mundos de Rubens
e é parecida com a esquina das pombas da Avenue des Champs Élysées.
Todo o dia o dia todo se mexendo se mexendo
solta espécie de pássaros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>À PINTURA</p>
<p>Dénise trabalha no Musée du Louvre buffet do 1º piso,<br />
entre mesas ou ingleses ela conduz seu corpo com toda a decisão,<br />
sua bunda é mais sonora que os mundos de Rubens<br />
e é parecida com a esquina das pombas da Avenue des Champs Élysées.</p>
<p>Todo o dia o dia todo se mexendo se mexendo<br />
solta espécie de pássaros que revoam ao seu redor<br />
e a descrevem no ar saudando a grande cidade<br />
antes de regressar docemente à sua carne.</p>
<p>Dénise trabalhava e nunca havia visto a Gioconda<br />
mas seu quarto em Poissonnière<br />
era um país sempre disposto para o amor,<br />
Toda noite seu cheiro batia nas janelas.</p>
<p>Quando abraçava o homem olhava para a porta<br />
como se a ternura fosse entrar de repente,<br />
dela às vezes voavam pássaros escuros<br />
como uma tristeza depois de haver amado.</p>
<p>(do Juan Gelman, tradução provisória de Leo Gonçalves)</p>
<p>A LA PINTURA</p>
<p>Dénise trabaja en el Musée du Louvre buffet del ler. piso,<br />
entre mesas o ingleses ella conduce su cuerpo con toda decisión,<br />
su culo es más sonoro que los mundos de Rubens<br />
y se parece a la esquina de las palomas de l&#8217;Avenue des Champs Elysées.</p>
<p>Todo el día todo el día moviéndose moviéndose<br />
suelta especie de pájaros que revolotean a su alrededor<br />
y la describen en el aire saludando al gran pueblo<br />
antes de regresar dulcemente a su carne.</p>
<p>Dénise trabajaba y nunca había visto a la Gioconda<br />
pero su cuarto en Poissonniére<br />
era un país siempre dispuesto para el amor,<br />
cada noche su oleaje golpeaba las ventanas.</p>
<p>Cuando abrazaba al hombre miraba hacia la puerta<br />
como si la ternura fuese a entrar de repente,<br />
a veces se le volaban pájaros oscuros<br />
como una tristeza después de haber amado.</p>
<p>Juan Gelman, no livro Gotán</p>
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		<title>Revista de Autofagia nº3 &#8211; para baixar</title>
		<link>http://www.salamalandro.redezero.org/revista-de-autofagia-3-para-baixar/</link>
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		<pubDate>Tue, 23 Feb 2010 00:05:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[autofagia]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[poesia contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[poetamigos]]></category>
		<category><![CDATA[revistas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Ótima notícia de carnaval no blogue do Bruno Brum: a Revista de Autofagia nº3 já está disponível para baixar, em formato pdf. A revista, que é levada na base da boa vontade por ele (Bruno) e o Makely, é publicada desde 2003 e já teve como colaboradores: Estrela Leminski, Amarildo Anzolin, Marcelo Sahea e tantos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2010/02/revista_de_autofagia_3.pdf"><img class="size-full wp-image-953     aligncenter" title="revista de autofagia nº3" src="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2009/03/sem-titulo1.bmp" alt="" /></a></p>
<p>Ótima notícia de carnaval no blogue do Bruno Brum: a Revista de Autofagia nº3 já está disponível para baixar, em formato pdf. A revista, que é levada na base da boa vontade por ele (Bruno) e o Makely, é publicada desde 2003 e já teve como colaboradores: Estrela Leminski, Amarildo Anzolin, Marcelo Sahea e tantos outros. Neste número 3 você poderá ler poemas de Allen Ginsberg traduzidos por mim (Leo Gonçalves), os trabalhos da série tramas de <a href="http://saborgraxa.wordpress.com/2010/02/16/revista-de-autofagia-3-na-rede/" target="_blank">Marcelo Terça-Nada! </a>(que inclusive foram belissimamente aproveitados na capa e no projeto gráfico da revista), uma entrevista com o escritor mineiro Sérgio Fantini, poemas de Joca Reiners Terron, Micheliny Verunschk, Guilherme Rodrigues, Letícia Féres, Fabrício Marques, Mônica de Aquino, poemas de Bill Knott e Keneth Rexroth traduzidos por Reuben da Cunha Rocha, e muito mais. Faça o <a href="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2010/02/revista_de_autofagia_3.pdf" target="_blank">download </a>da revista e confira.</p>
<p>Qualquer dúvida, dê uma sacada no <a href="http://saborgraxa.wordpress.com/2010/02/16/revista-de-autofagia-3-na-rede/" target="_blank">www.saborgraxa.wordpress.com</a></p>
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		<title>O amante da algazarra</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Feb 2010 19:21:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[Waly Salomão]]></category>
		<category><![CDATA[algaravias]]></category>
		<category><![CDATA[antropofagia]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

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		<description><![CDATA[
Essa semana me deu na veneta de ler o livro O amante da algazarra – Nietzsche na poesia de Waly Salomão, dica da querida poetamiga Renata Cabral. O ensaio (um dos poucos existentes sobre o Sailormoon), foi escrito pelo também poeta Flávio Boaventura, o Boave. O texto, embora escrito para a academia, é de uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2010/02/amante_da_algazarra_978-85-7041-757-2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1551" title="o amante da algazarra" src="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2010/02/amante_da_algazarra_978-85-7041-757-2.jpg" alt="" width="150" height="225" /></a></p>
<p>Essa semana me deu na veneta de ler o livro <em>O amante da algazarra – Nietzsche na poesia de Waly Salomão</em>, dica da querida poetamiga Renata Cabral. O ensaio (um dos poucos existentes sobre o Sailormoon), foi escrito pelo também poeta Flávio Boaventura, o Boave. O texto, embora escrito para a academia, é de uma maravilhosa sagacidade e esperteza de linguagem. Coisa de quem conhece o peso das palavras. Enquanto eu lia, sentia aquela alegria esfuziante de quem está revendo amigos.</p>
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		<title>juan fiorini</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Feb 2010 21:39:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[juan fiorini]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[poesia contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[quase sempre
penso tudo
quase tudo
nada peço
tudo penso
quase nada
nada penso
sempre quase
quase nada
sempre tudo
quase sempre
nada tudo.
(do livro quase nada sempre tudo, de juan fiorini)
Do que eu mais gosto no livro do Juan Fiorini, é que ele é vagabundo como eu, despretensioso “corpoema” a transitar pelas ruas da sua cidade, poesia sem pose e sem limites, pura brincadeira que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>quase sempre<br />
penso tudo</p>
<p>quase tudo<br />
nada peço</p>
<p>tudo penso<br />
quase nada</p>
<p>nada penso<br />
sempre quase</p>
<p>quase nada<br />
sempre tudo</p>
<p>quase sempre<br />
nada tudo.</p>
<p>(do livro <em>quase nada sempre tudo</em>, de juan fiorini)</p>
<p>Do que eu mais gosto no livro do Juan Fiorini, é que ele é vagabundo como eu, despretensioso “corpoema” a transitar pelas ruas da sua cidade, poesia sem pose e sem limites, pura brincadeira que nada nada “faz de cada um de nós um santuário de tudo e de si mesmo”. </p>
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		<title>Plano Nacional de Direitos Humanos</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 14:59:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[polêmica]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[política cultural]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

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O texto final deste Programa é fruto de um longo e meticuloso processo de diálogo entre poderes públicos e sociedade civil. Representada por diversas organizações e movimentos sociais, esta teve participação novamente decisiva em todas as etapas de sua construção. A base inicial do documento foi constituída pelas resoluções aprovadas na 11ª Conferência Nacional dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1539" title="2009_12_21_15_12_19_0" src="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2010/02/2009_12_21_15_12_19_0.jpg" alt="" width="300" height="323" /></p>
<blockquote><p>O texto final deste Programa é fruto de um longo e meticuloso processo de diálogo entre poderes públicos e sociedade civil. Representada por diversas organizações e movimentos sociais, esta teve participação novamente decisiva em todas as etapas de sua construção. A base inicial do documento foi constituída pelas resoluções aprovadas na 11ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos, que compuseram um primeiro esqueleto do terceiro PNDH. (&#8230;)</p>
<p>O desafio agora é concretizá-lo.</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Paulo Vanucchi</strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><br />
</strong></p>
</blockquote>
<blockquote><p>Este PNDH-3 será um roteiro consistente e seguro para seguir consolidando a marcha histórica que resgata nosso País de seu passado escravista, subalterno, elitista e excludente, no rumo da construção de uma sociedade crescentemente assentada nos grandes ideais humanos da liberdade, da igualdade e da<br />
fraternidade.</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Luis Inácio Lula da Silva</strong></p>
</blockquote>
<p>Este é um assunto de interesse de todos. Muita genta não sabe: o governo brasileiro lançou na virada do ano o Plano Nacional de Direitos Humanos, também conhecido como PNDH3. Um pacotão que está dando o que falar. Os críticos mais ácidos afirmam que o pacote é, finalmente, o programa petista sendo posto em prática. Mas a verdade é que não se trata apenas disto.</p>
<p>Nos últimos 15 anos, o governo tem discutido com representantes de todos os setores interessados (durante o processo participaram cerca de 14 mil pessoas de todos os estados brasileiros) um plano nacional de direitos que amplie a participação da sociedade civil. No texto final, há diversas cláusulas polêmicas, como o direito ao aborto (baseado no direito da mulher sobre o próprio corpo), a união civil entre pessoas do mesmo sexo, a adoção de crianças por casais homossexuais, o direito à memória (a abertura dos arquivos da ditadura militar, por exemplo), o amplo direito à cultura e à saúde, a criação de juizados de conciliação para casos de invasão de terras abrindo meios para um princípio de reforma agrária e por aí vai.</p>
<p>O problema é que o assunto tem sido discutido e polemizado apenas por tendenciosas alas do poder. A igreja critica, entre outras coisas, o direito ao aborto, acusa Lula de &#8220;o novo Herodes&#8221;, os militares reclamam da abertura, os juízes e ruralistas afirmam que o Plano vai contra a propriedade privada e que fortifica o Movimento dos Sem Terra.</p>
<p>O item relacionado à cultura me parece ainda insuficiente, mas não será isso que tornará o todo menos interessante. O assunto interessa a todos, enfim. E se é para haver polêmicas, que sejam justas. Com opiniões dos dois lados.</p>
<p>Tenho visto poucas manifestações das partes mais interessadas. Mas uma das que mais gostei foi o ato público que ocorrerá em São Paulo, no domingo, dia 07 de fevereiro às 17h, na esquina de Rua Augusta com Avenida Paulista: haverá um <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=4044" target="_blank">Beijaço pelos Direitos Humanos</a>, uma pacífica saudação ao Plano que poderá tornar o Brasil legalmente um país bom de viver. Vamos fazer um em Belo Horizonte também? No mesmo dia e hora. Beijo é sempre bom. Que tal na Praça da Estação&#8230;</p>
<p>Para ler o texto completo do PNDH3, é só <a href="http://portal.mj.gov.br/sedh/pndh3/pndh3.pdf" target="_blank">clicar <strong>aqui</strong></a>.</p>
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		<title>Notícias do Piva</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 16:19:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Repito aqui as notícias blogadas hoje por Ademir Assunção.

PIVA CONTINUA NA ENFERMARIA
Roberto Piva continua internado na enfermaria do HC, com mais três doentes.
Gustavo, que mora com ele e é a pessoa mais próxima, está acompanhando de perto. Ele disse que Piva está tendo um bom atendimento médico. O poeta e amigo Antonio Fernando de Franceschi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Repito aqui as notícias blogadas hoje por <a href="http://zonabranca.blog.uol.com.br/arch2010-01-24_2010-01-30.html" target="_blank">Ademir Assunção</a>.</p>
<blockquote>
<p>PIVA CONTINUA NA ENFERMARIA</p>
<p>Roberto Piva continua internado na enfermaria do HC, com mais três doentes.</p>
<p>Gustavo, que mora com ele e é a pessoa mais próxima, está acompanhando de perto. Ele disse que Piva está tendo um bom atendimento médico. O poeta e amigo Antonio Fernando de Franceschi pagou uma consulta particular, com um bom médico, quando Piva passou mal, antes da internação. O mesmo médico está acompanhando seu quadro clínico. Gustavo disse também que a situação não é tão precária.</p>
<p>Mas está longe de ser boa. Piva terá que fazer uma cirurgia da próstata e provavelmente um cateterismo. A internação deve se prolongar por mais algumas semanas. Ele tem reclamado muito da comida, da televisão ligada até tarde no quarto e de rezas de evangélicos. O horário de visita é de apenas 2 horas e só podem entrar 2 pessoas.</p>
<p>*****</p>
<p>Gustavo disse que toda a atenção e solidariedade são bem-vindas. Piva vai precisar de grana quando sair do hospital. Quem quiser e puder ajudar, eis a conta dele:</p>
<p>Banco: Itau</p>
<p>Agência: 0036</p>
<p>Conta: 20592-0</p>
<p>CPF: 565.802.828/00</p></blockquote>
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