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	<title>SALAMALANDRO</title>
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	<description>poesia contra a moral e os bons costumes :: anotações de leo gonçalves</description>
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		<title>Poesia liberdade</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Aug 2010 12:25:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[manifesto]]></category>
		<category><![CDATA[radicalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[O poeta mexicano Heriberto Yépez defendia, por volta do ano 2.000, que fosse abolida a noção de literatura (já caduca) para colocar em seu lugar o “Decir” (Dizer). Gosto muito da crise que essa proposição provoca. “Por uma poética antes do paleolítico e depois da propaganda”, manifesto que aparece no livro de poemas que tem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-1788 alignnone" title="marinetti, 1912 - palavras em liberdade" src="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2010/08/marinetti.irr_.1912.jpg" alt="" width="400" height="324" /></p>
<p>O poeta mexicano Heriberto Yépez defendia, por volta do ano 2.000, que fosse abolida a noção de literatura (já caduca) para colocar em seu lugar o “Decir” (Dizer). Gosto muito da crise que essa proposição provoca. “Por uma poética antes do paleolítico e depois da propaganda”, manifesto que aparece no livro de poemas que tem exatamente esse título, é um dos poucos escritos realmente revolucionários que li entre os poetas da minha geração. Só não concordo com o termo encontrado. Acho “Dizer” amplo demais, pode significar coisa demais, pouco específico. Aprendi com as yalorixás que é preciso dizer as palavras certas, caso se queira obter certo resultado.</p>
<p>Eu, particularmente, prefiro um outro termo igualmente caduco e relaxado (por remeter a uma falsa idéia de beletrismo e bondade), porém mais específico: poesia. Poesia: elemento pulsante e vital de toda grande obra de arte, seja ela em versos, tinta, bytes, pedra, cores ou sons. Heriberto mesmo não descarta o termo. E fodam-se as especificidades disciplinares.</p>
<p>Mas aí, dizendo isso, me vem à cabeça o que dizia Artaud em 1944. “Revolta Contra a Poesia” é um texto cruel. “Nós nunca escrevemos sem a encarnação da alma, mas ela já estava pronta, e por nós mesmos, quando entramos na poesia. O poeta que escreve dirige-se ao Verbo e o Verbo às suas leis. Há, no inconsciente do poeta, a crença automática em suas leis. Ele se crê livre, mas não o é.” Artaud se dizia “contra a poesia dos poetas”. Ele via “não sei que operação de rapina, que autodevoração de rapina onde o poeta, se limitando ao objeto, se vê devorado por esse objeto”. Uma abjeta devoração de si mesmo. Artaud estava louco? Se estava, alguém me prenda por favor.</p>
<p>Evelyne Grossman, especialista em Artaud e sua biógrafa, mostra* que o missivista de Rodez queria era “não a poesia-objeto (de gozo, de consumo, de leitura… à distância), não a poesia que ele qualificava de “literária”, mas a poesia-força, encantamento, ritmo, “a poesia no espaço” (o que ele definia como teatro), o movimento das sílabas proferidas, expectoradas – os corpos animados por palavras”.</p>
<p>Muitas vezes, publicar um livro de poemas é mais uma questão de estômago. Aceitar ou não aceitar essa abjeta devoração de si mesmo. Há quem suporte. Poemas não são como ensaios acadêmicos: não precisam ser publicados para acontecer. Poetas são muito afoitos. Querem ver logo seus livros publicados, antes mesmo dos poemas existirem. Querem ser vistos, tidos e reconhecidos como poetas. Há inclusive os que estudam semióticas, cânones, linguagens. Mas não se preparam para preencher seus corpos e seus versos com os ritmos e sons gerados no big bang (no fundo todo poema é um big bang). E toda a ousadia que conseguem derramar em seus textos não passa de literatura. Milhares de livros de poesia publicados ao ano. Árvores cortadas em vão. Depósitos e mais depósitos amontoando papel inútil pintado com tinta. Lamentáveis gritos de autoestimas machucáveis. Anotações para diário inúteis para quem não nasceu dentro do corpo do autor.</p>
<p>Prefiro poesia. Não sei se escolho a palavra certa. Mas que importa o certo? Um bom romance muitas vezes é um bom poema. Vice-versa não. Ainda Artaud: “Quando recito um poema, não é para ser aplaudido mas para sentir corpos de homens e mulheres. <em>Corpos</em>, insisto.  Vibrar e emanar em uníssono com o meu, emanar como se emana, da obtusa contemplação, do buda sentado, coxas instaladas e sexo gratuito, à alma, quer dizer, à materialização corporal e real de um ser integral de poesia”**.</p>
<p>* no prefácio à edição francesa de <em>Pour en finir avec le jugement de dieu</em>.<br />
** citação de uma carta a Henri Parisot, datada de 6 de outurbro de 1945 e incluída no mesmo prefácio de Evelyne Grossman.</p>
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		<title>Poemas do Haiti no Suplemento</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 14:59:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[atlântico negro]]></category>
		<category><![CDATA[negritude]]></category>
		<category><![CDATA[outra imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[tradução]]></category>

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		<description><![CDATA[A edição de junho/2010 do Suplemento Literário de Minas Gerais estampou alguns poemas que traduzi do poeta haitiano Léon Laleau, um dos que mais admiro na língua francesa. Bem pouco conhecido, Laleau escrevia com ironia e bom humor. O número 1330 do Suplemento traz ainda a participação de dois amigos: o Cleber Araújo Cabral, que, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2010/08/sl_edicao-1330.pdf"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1751" title="suplemento literário de mg edição de junho/2010, nº 1330" src="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2010/08/suplemento-capa-248x300.jpg" alt="" width="248" height="300" /></a></p>
<p>A edição de junho/2010 do Suplemento Literário de Minas Gerais estampou alguns poemas que traduzi do poeta haitiano <a href="http://www.salamalandro.redezero.org/canibal-um-poema-de-leon-laleau-poeta-haitiano/" target="_blank">Léon Laleau</a>, um dos que mais admiro na língua francesa. Bem pouco conhecido, Laleau escrevia com ironia e bom humor.</p>
<p>O número 1330 do Suplemento traz ainda a participação de dois amigos: o Cleber Araújo Cabral, que, em parceria com Adriana Araújo Figueiredo, fala do escritor mineiro Wander Piroli, e o Eclair Antônio Almeida, que fala sobre e traduz Maurice Blanchot. E tem também poemas, contos, ensaios.</p>
<p>Para quem não sabe, o Suplemento é uma publicação do governo de Minas Gerais e agora é bimestral. A distribuição é gratuita, tanto na forma impressa quanto na virtual, que fica disponível no site da secretaria de cultura do estado. Quem quiser baixar o pdf, é só <a href="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2010/08/sl_edicao-1330.pdf">clicar aqui</a> (ou na capinha do suplemento aí acima).</p>
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		<title>Jerome Rothenberg, 1966</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 22:00:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[manifesto]]></category>

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		<description><![CDATA[Proposições revolucionárias (1966) 1. Uma revolução envolve uma mudança na estrutura; uma mudança no estilo não é uma revolução. 2. Uma revolução na poesia, na pintura ou na música faz parte de um plano revolucionário total. A arte (moderna) é fundamentalmente subversiva. Sua investida é em direção a uma revolução ilimitada (contínua). 3. &#8220;Toda forma, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><strong>Proposições revolucionárias</strong><br />
(1966)</p>
<p>1. Uma revolução envolve uma mudança na estrutura; uma mudança no estilo não é uma revolução.</p>
<p>2. Uma revolução na poesia, na pintura ou na música faz parte de um plano revolucionário total. A arte (moderna) é fundamentalmente subversiva. Sua investida é em direção a uma revolução ilimitada (contínua).</p>
<p>3. &#8220;Toda forma, qualquer que seja ela, pelo simples fato de que existe como tal &amp; resiste, necessariamente perde vigor &amp; se torna desgastada; para recuperar o vigor, ela deve ser reabsorvida no amorfo, ao menos por um momento; ela deve ser restabelecida à unidade primordial da qual descendeu; em outras palavras, deve voltar ao &#8216;caos&#8217; (no plano cósmico), à &#8216;orgia&#8217; (no plano social), à escuridão (como semente), à &#8216;água&#8217; (batismo no plano humano, Atlântida no plano da história e assim por diante).&#8221; -M. Eliade</p>
<p>4. &#8220;A árvore da liberdade deve, de tempos em tempos, ser reanimada com o sangue de patriotas &amp; de tiranos. É seu adubo natural&#8221;. &#8211; T. Jefferson. &#8220;Sem contrários não é progressão. Atração &amp; Repulsão, Razão &amp; Energia, Amor &amp; Ódio são necessários à Existência Humana&#8221;. -W. Blake</p>
<p>5. É possível racionalizar a história da poesia ou da arte moderna, mascarar seu caráter subversivo; mas mesmo como mania &amp; moda passageiras, a poesia continua a subverter, a destruir os construtos de uma antiga ordem à medida que edifica os construtos-esboços de uma nova ordem.</p>
<p>6. &#8220;O desenvolvimento dos cinco sentidos é obra de toda a história do mundo até o presente&#8221;. -K. Marx</p>
<p>7. Uma mudança na visão é uma mudança na forma. Uma mudança na forma é uma mudança de realidade.</p>
<p>8. &#8220;A função do poeta é espalhar dúvida &amp; criar ilusão.&#8221; -N. Calas</p></blockquote>
<p>Do livro<em> Etnopoesia no milênio</em> de <a href="http://poemsandpoetics.blogspot.com/" target="_blank">Jerome Rothenberg</a>, organizado por Sérgio Cohn, traduzido por Luci Collin e publicado em 2006 pela Azougue Editorial.</p>
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		<title>Aos amigos que andaram à procura</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 04:10:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Aos dois milhões de leitores que andaram à procura de notícias minhas por aqui, peço desculpas pelo silêncio. Não fui explícito em nenhuma parte ainda, mas a notícia é que deixei as alterosas, as terras belorizontinas para viver em São Paulo. Por aqui, momento inicial de adaptação, amizades novas, trabalhos e outras distrações me mantiveram [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aos dois milhões de leitores que andaram à procura de notícias minhas por aqui, peço desculpas pelo silêncio. Não fui explícito em nenhuma parte ainda, mas a notícia é que deixei as alterosas, as terras belorizontinas para viver em São Paulo. Por aqui, momento inicial de adaptação, amizades novas, trabalhos e outras distrações me mantiveram um pouco longe da salamalandragem.</p>
<p>Excelentes notícias continuam vindo de BH, continuarei repassando o que me empolga por aqui, mas em breve, lançarei novas novas também de São Pã.</p>
<p>As inquietações continuam a mil.</p>
<p>Poemas, em breve novinhos em folha.</p>
<p>Planos para dominar o mundo ocupam o cérebro.</p>
<p>Por hoje deixo apenas o abraço.</p>
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		<title>Nada a dizer para quem estiver em Sampa</title>
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		<pubDate>Tue, 18 May 2010 17:28:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[agenda]]></category>
		<category><![CDATA[performance]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[voz]]></category>

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		<description><![CDATA[Ando um pouco ausente de web-escrituras por absoluta falta de tempo. Mas não podia deixar faltar esta notícia: lançamento dos livros Nada a dizer do Marcelo Sahea, A face do fogo de Beatriz Bajo e outros da coleção Demônio Negro da Annablume. Amanhã, dia 19 de maio de 2010, às 19h na Biblioteca Alceu Amoroso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2010/05/flyer_web.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1739" title="flyer_web" src="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2010/05/flyer_web.jpg" alt="" width="490" height="368" /></a></p>
<p>Ando um pouco ausente de web-escrituras por absoluta falta de tempo. Mas não podia deixar faltar esta notícia: lançamento dos livros <em>Nada a dizer</em> do Marcelo Sahea, <em>A face do fogo</em> de Beatriz Bajo e outros da coleção Demônio Negro da Annablume. Amanhã, dia 19 de maio de 2010, às 19h na Biblioteca Alceu Amoroso Lima.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Lançamento: Escrever com a câmera</title>
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		<pubDate>Mon, 10 May 2010 19:12:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[agenda]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>

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		<description><![CDATA[O lançamento é no próximo sábado. Espero até lá ter um tempinho para comentar um pouco mais. Por enquanto, para saber mais detalhes, veja no: www.crisalidaeditora.blogspot.com]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1729" title="Lançamento do livro &quot;Escrever com a câmera: Jean-Luc Godard&quot;, de Mário Alves Coutinho" src="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2010/05/Convite-GODARD-Lancamento.jpg" alt="" width="506" height="509" /></p>
<p>O lançamento é no próximo sábado. Espero até lá ter um tempinho para comentar um pouco mais. Por enquanto, para saber mais detalhes, veja no:</p>
<p><a href="http://crisalidaeditora.blogspot.com/2010/04/escrever-com-camera-godard.html" target="_blank">www.crisalidaeditora.blogspot.com</a></p>
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		<title>Bruno Brum nas Terças Poéticas</title>
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		<pubDate>Mon, 03 May 2010 20:26:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[agenda]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1726" title="convite-web_tercas-poeticas_maio-2010" src="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2010/05/convite-web_tercas-poeticas_maio-2010.jpg" alt="" width="420" height="594" /></p>
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		<title>Elisa Lucinda na Noite do Griot</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Apr 2010 13:47:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[casa áfrica]]></category>
		<category><![CDATA[griot]]></category>

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		<description><![CDATA[E para quem estiver em BH, hoje tem Elisa Lucinda na Noite do Griot. O evento acontece a partir das 21h no Teatro Alterosa [Av. Assis Chateaubriand, 499 - Floresta - BH]. Entrada Franca, com distribuição antecipada e limitada de ingressos (ou seja: chegue cedo!).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1719" title="elisa lucinda se apresenta hoje, dia 27 de abril às 21h no teatro alterosa" src="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2010/04/cartazelisa.jpg" alt="" width="495" height="354" /></p>
<p>E para quem estiver em BH, hoje tem Elisa Lucinda na Noite do Griot. O evento acontece a partir das 21h no Teatro Alterosa [Av. Assis Chateaubriand, 499 - Floresta - BH]. Entrada Franca, com distribuição antecipada e limitada de ingressos (ou seja: chegue cedo!).</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Claudio Willer fala sobre Paranóia de Piva</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Apr 2010 13:36:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[Roberto Piva]]></category>
		<category><![CDATA[agenda]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta é para quem estiver em São Paulo no próximo dia 27, terça-feira às 20h. O poeta, tradutor e ensaísta Claudio Willer comenta sobre a obra de Roberto Piva, a propósito do relançamento do livro Paranóia no Sesc Vila Mariana. Desde o começo do ano, o Piva tem passado por sérios problemas de saúde, internado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1714" title="willer3" src="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2010/04/willer3.jpg" alt="" width="500" height="333" /></p>
<p>Esta é para quem estiver em São Paulo no próximo dia 27, terça-feira às 20h. O poeta, tradutor e ensaísta Claudio Willer comenta sobre a obra de Roberto Piva, a propósito do relançamento do livro <em>Paranóia</em> no Sesc Vila Mariana. Desde o começo do ano, o Piva tem passado por sérios problemas de saúde, internado há mais de 40 dias no Hospital das Clínicas de São Paulo. Os amigos têm se reunido para angariar recursos para ajudá-lo a sair desse momento difícil e o bate-papo é mais uma iniciativa com esse propósito.</p>
<blockquote><p>No encontro, Claudio Willer falará sobre o tema “Roberto Piva e a Poesia”. De acordo com o autor, matérias sobre o relançamento de Paranóia acentuam a idéia de uma criação poética delirante, resultante de alucinações. Willer, reconhecendo a importância de Paranóia, texto inovador, um marco inicial, observará que é necessário ler todo Piva: o conjunto de sua contribuição literária, composta por oito livros de poesia e alguns manifestos, reunidos nos três volumes da Obra Reunida. Argumentará que a poesia de Piva é sobre a própria poesia; sendo um rebelde, evidentemente, é um poeta culto, um leitor que, por vezes de modo sutil, comenta suas leituras e sua paixão pela vida e pela poesia (que, em sua poética, se confundem)</p>
<p>O encontro contará com a presença dos seguintes escritores para depoimentos: Antonio Fernando de Franceschi (poeta, responsável pela reedição de Paranóia em 2000); Celso de Alencar (poeta e amigo de Piva); Roberto Bicelli (poeta e amigo de Piva); Toninho Mendes (artista gráfico e poeta, publicou Piva na revista Chiclete com Banana); Ugo Giorgetti (cineasta, autor do média-metragem Uma outra cidade de 2000, com Piva e outros poetas da mesma geração); Valesca Dios (cineasta, diretora de Assombração Urbana, média-metragem com Roberto Piva, de 2005).</p>
<p><a href="http://www.sempreumpapo.com.br/agenda/integra.php?id=768&amp;idCid=30" target="_blank">www.sempreumpapo.com.br</a></p></blockquote>
<p>Sempre um Papo em homenagem a Roberto Piva<br />
Dia 27 de abril, terça-feira, às 20h<br />
Local: SESC Vila Mariana (Rua Pelotas 141 &#8211; Vila Mariana)<br />
Tel.: (11) 5080-3000 / www.sescsp.org.br<br />
Auditório (131 lugares) Entrada gratuita</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Poesia como arte insurgente</title>
		<link>http://www.salamalandro.redezero.org/poesia-como-arte-insurgente-lawrence-ferlinghetti/</link>
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		<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 16:40:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[lawrence ferlinghetti]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[radicalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Acabo de ler um great little book. Poetry as Insurgent Art, de Lawrence Ferlinghetti, é um desses livrinhos para se colocar ao lado do travesseiro e ler uma frase por noite. Ou então, das famosas “obras para obrar” deixadas no banheiro no lugar das revistas de fofoca, esperando aquele momento mais íntimo dos seres humanos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1697" title="Lawrence Ferlinghetti" src="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2010/04/lf.jpg" alt="" width="432" height="299" /></p>
<p>Acabo de ler um great little book. <em>Poetry as Insurgent Art</em>, de Lawrence Ferlinghetti, é um desses livrinhos para se colocar ao lado do travesseiro e ler uma frase por noite. Ou então, das famosas “obras para obrar” deixadas no banheiro no lugar das revistas de fofoca, esperando aquele momento mais íntimo dos seres humanos civilizados. Frases curtas e espertas. Pequenos instantes de veneno anti-mediocridade.</p>
<p>Há muito tempo que eu ensaiava um meio de tê-lo em mãos. Havia visto no site da editora City Lights em 2008 e, desde então, venho tentando imaginar o que o velho Ferlinghetti anda aprontando. A proposta <em>Poesia como arte insurgente </em>é sonhadora para esses tempos em que a linguagem anda sumindo. Estava super afim e pensava em pedir via internet. Outro dia, passando por uma livraria de São Paulo, o encontrei e fiquei tremendo como um viciado com a vontade de adquirir meu exemplar.</p>
<p>Segundo os editores, Ferlinghetti tem certa aversão a tratados de poética. No entanto, este livro vem sendo escrito e reescrito ao longo dos últimos 60 anos, em sucessivas edições recheadas de acréscimos. Já teve também outros nomes. <em>What is Poetry</em> é o título anterior. Contém formulações de quem, ao longo do tempo, vem mantendo uma permanente confiança no poder das palavras e da poesia enquanto vida e subversão. Uma ideia fora de moda e atualíssima ao mesmo tempo. Coincide com questões que andam em pauta no Brasil e no mundo.</p>
<p>Veja-se por exemplo a exortação “Don’t make poetry by the Pound”, dificílima de traduzir sem variantes para o português, podendo significar “Não faça poesia pelo Peso”, em primeira instância. E na sequência: “Não faça poesia pelo dinheiro” (Pound esterling, a moeda inglesa). E por último: “Não faça poesia pelo Pound”. Quem leu meu artigo “Para acabar com o juízo dos críticos” sabe do que estou falando. Para o ambiente brasileiro, com seus poetas literatureiros, tem também esta: “Compose on the tongue, not on the page” [Componha na língua, não na página]. E: “Poetry is the real subject of great prose” [Poesia é o verdadeiro assunto da grande prosa]. E ainda: “Be a songbird, not a parrot” [Seja um passarinho cantador, não um papagaio].</p>
<p>Lawrence Ferlinghetti é um dos poucos poetas do mundo contemporâneo (talvez eu devesse dizer: do “meu” mundo contemporâneo, já que não conheço todo o mundo contemporâneo) a se interessar pela dimensão micropolítica da linguagem e explorá-la em sua obra. Suas idéias coincidem com as minhas mais recentes concepções sobre poesia. Veja-se a exemplo o aforismo-notícia que está na página 59 do livreto: “The war against the imagination is not the only war. Using the 9/11 Twin Towers disaster as an excuse, America has initiated the Third World War, which is the War against the Third World. [A guerra contra a imaginação não é a única guerra. Usando o desastre das Torres Gêmeas do onze de setembro como desculpa, os Estados Unidos iniciaram a Terceira Guerra Mundial, que é a Guerra contra o Terceiro Mundo]”.</p>
<p>Para os que não conhecem Ferlinghetti, ele é o autor de <em>Um parque de diversões na cabeça</em>, que foi reeditado recentemente pela LPM, na coleção pocket. No Brasil ele foi traduzido por poetas como Paulo Leminski, Leonardo Fróes e Nelson Ascher. É um dos poucos sobreviventes da geração beatnik no século XXI. Segundo Claudio Willer (em seu recente livro Geração beat): Ferlinghetti nasceu em Nova York em 1919, filho de um imigrante italiano e criado em Strasbourg, na França. Escrevia desde muito jovem, antes mesmo de servir ao exército americano. Participou da segunda guerra mundial como oficial da marinha, o que consolidou suas convicções pacifistas (Dare to be a non- violent poetic guerrilla, na anti-hero [Ouse ser um guerrilheiro poético da não-violência, um anti-herói]). Estudou em Columbia e na Sorbonne e, ao voltar para os EUA, fundou a editora City Lights no começo dos anos 1950. Publicou, entre muitos, Antonin Artaud e Jacques Prévert. Foi o editor da primeira edição do <em>Howl </em>de Allen Ginsberg (aquele poema que não precisou ser publicado para ser preso pela moral e os bons costumes norteamericanos). Sua editora é ainda hoje uma das forças que mantêm a inteligência ativa no país dos Walt: Whitman e Disney.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1699" title="poetry as insurgent art" src="http://www.salamalandro.redezero.org/wp-content/uploads/2010/04/poetryasinsurgentart.gif" alt="" width="171" height="256" /></p>
<p><strong>The Nort Pole is not where it uset to be. </strong>O Polo Norte não está mais onde costumava estar.</p>
<p><strong>If you would be a poet, create works capable of answering the challenge of apocalyptic times, even if this means sounding apocalyptic. </strong>Se você quer ser um poeta, crie obras capazes de responder aos desafios dos tempos apocalípticos, mesmo se isso soar apocalíptico.</p>
<p><strong>If you call yourself a poet, don’t just sit there. Poetry is not a sedentary occupation, not a “take your seat” practice. Stand up and let them have it.</strong> Se você se diz poeta, não sente-se simplesmente ali. Poesia não é uma ocupação sedentária, não é uma prática de “tomem os seus assentos”. Levante-se e deixe que os outros façam isso.</p>
<p><strong>If you would be a poet, invent a new language anyone can understand.</strong> Se você quer ser um poeta, invente uma nova língua que qualquer um possa entender.</p>
<p><strong>If you would be a poet, speak new thruths that the world can’t deny.</strong> Se você quer ser um poeta, diga novas verdades que o mundo não possa negar.</p>
<p><strong>Reinvent the idea of thruth.</strong> Reinvente a idéia de verdade.</p>
<p><strong>Unless you have an urge to sing, don’t open your mouth.</strong> A menos que tenha uma urgência de cantar, não abra a sua boca.</p>
<p><strong>Make it more than “spoken word” poetry; make it “sung word” poetry.</strong> Faça mais do que poesia palavra falada; faça-a uma poesia palavra cantada.</p>
<p><strong>Like a field of sunflowers, a poem should not have to be explained.</strong> Como um campo de girassóis, um poema não pode precisar ser explicado.</p>
<p><strong>Don’t be so open-minded that your brains fall out.</strong> Não tenha a cabeça tão aberta a ponto de seu cérebro cair.</p>
<p><strong>If a poem has to be explicated, it’s a failure in communication.</strong> Se um poema tem que ser explicado, há um falha de comunicação.</p>
<p><strong>Whatever a poet says about his work is an apology he shouldn’t make.</strong> O que quer que um poeta diga sobre sua obra é um pedido de desculpas que ele não deveria fazer.</p>
<p><strong>Art is not Chance. Chance is not art, except by chance. </strong>Arte não é Acaso. Acaso não é arte, exceto por acaso.</p>
<p><strong>Cultivate dissidence and critical thinking. First thought may be worst thought. </strong>Cultive a dissidência e o pensamento crítico. Primeira idéia pode ser a pior idéia.</p>
<p><strong>Resist much, obey less.</strong> Resista mais, obedeça menos.</p>
<p><strong>Poetry is all things born with wings that sing.</strong> Poesia é todas as coisas nascidas com asas que cantam.</p>
<p><strong>Don’t let them tell you poetry is for the birds.</strong> Não deixem dizerem que a sua poesia é para os passarinhos.</p>
<p><strong>Don’t ever believe poetry is irrelevant in dark times. </strong>Jamais acredite que poesia é irrelevante em tempo escuros.</p>
<p><strong>Don’t let them tell you poets are parasiti.</strong> Não deixe dizerem que vocês poetas são parasitas.</p>
<p><strong>The poet sees eternity in the mute eyes of all animals, including men and women.</strong> O poeta vê a eternidade nos olhos mudos de todos os animais, incluindo homens e mulheres.</p>
<p><strong>Poetry a naked woman, a naked man, and the distance between them.</strong> Poesia uma mulher nua, um homem nu, e a distância entre eles.</p>
<p><strong>Poetry is not all heroin horses and Rimbaud. It is also the powerless prayers of airline passengers fastening their seatbelts for the final descent.</strong> Poesia não é só cavalos de heroína e Rimbaud. É também os passageiros sem poder das linhas aéreas fazendo orações ao colocar os cintos de segurança para a derradeira descida.</p>
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