Jerome Rothenberg, 1966

Proposições revolucionárias
(1966)

1. Uma revolução envolve uma mudança na estrutura; uma mudança no estilo não é uma revolução.

2. Uma revolução na poesia, na pintura ou na música faz parte de um plano revolucionário total. A arte (moderna) é fundamentalmente subversiva. Sua investida é em direção a uma revolução ilimitada (contínua).

3. “Toda forma, qualquer que seja ela, pelo simples fato de que existe como tal & resiste, necessariamente perde vigor & se torna desgastada; para recuperar o vigor, ela deve ser reabsorvida no amorfo, ao menos por um momento; ela deve ser restabelecida à unidade primordial da qual descendeu; em outras palavras, deve voltar ao ‘caos’ (no plano cósmico), à ‘orgia’ (no plano social), à escuridão (como semente), à ‘água’ (batismo no plano humano, Atlântida no plano da história e assim por diante).” -M. Eliade

4. “A árvore da liberdade deve, de tempos em tempos, ser reanimada com o sangue de patriotas & de tiranos. É seu adubo natural”. – T. Jefferson. “Sem contrários não é progressão. Atração & Repulsão, Razão & Energia, Amor & Ódio são necessários à Existência Humana”. -W. Blake

5. É possível racionalizar a história da poesia ou da arte moderna, mascarar seu caráter subversivo; mas mesmo como mania & moda passageiras, a poesia continua a subverter, a destruir os construtos de uma antiga ordem à medida que edifica os construtos-esboços de uma nova ordem.

6. “O desenvolvimento dos cinco sentidos é obra de toda a história do mundo até o presente”. -K. Marx

7. Uma mudança na visão é uma mudança na forma. Uma mudança na forma é uma mudança de realidade.

8. “A função do poeta é espalhar dúvida & criar ilusão.” -N. Calas

Do livro Etnopoesia no milênio de Jerome Rothenberg, organizado por Sérgio Cohn, traduzido por Luci Collin e publicado em 2006 pela Azougue Editorial.

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