lentus in umbra

quando o reencontrei, anos depois, ele tinha nas mãos o seu mais novo livro, cujo título confirmava a minha suposição: lentus in umbra (imagina! se fosse dos meus, não pensaria duas vezes em meter o título em língua brasileira. brasileiríssima, aliás: tranqüilo na sombra. mas o fato é que gosto do livro, e talvez não gostasse se tivesse o título que sugiro). o título, tirado da écloga I das bucólicas de virgílio. nesse livro, aparecia algo de novo: o elemento ezra pound, make it new. lentus in umbra foi logo traduzido na espanha e publicado pela prestigiosa editora trea. havia-se acrescentado ao caldo, uma imensa paixão pelos cantares d’amigo medievais em todos os seus desdobramentos: galaico-português, provençal, francês, catalão, castelhano e o que daí surgiu em termos de poesia nas línguas neo-latinas.

PAX ROMANA

Tu, deitada no templo, decifrando as
escuras pilastras da casa, ouve
minhas palavras metálicas. Ainda
hoje saborearei teu corpo, quer
m’ofereças, quer não. Jasmins
tenho em minha carroça para
impressionar teus gostos arrojados;
serei um afável salteador, roubando-te
as mais pecaminosas
excitações cerebrais. Ainda hoje tu
te deitarás comigo no prado.
Afastemo-nos da cidade. Então
apresentar-te-ei vários elixires, temperos
raríssimos.

Os milênios serão nossos confessores.

(de lentus in umbra)

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