O raio de luz Mestre Jonas


(18 de março de 1976 – 30 de dezembro de 2011)

No começo dos anos 2000, Mestre Jonas apareceu repleto de swing e bom humor na cena musical de Belo Horizonte. Me lembro dele lá na casa do Renato Negrão, num papo sobre as primeiras ações de um movimento que mostrou que Minas é muito mais do que Clube da Esquina. Mestre Jonas estava lá, com seu violão, voz doce, uma pegada única que me deixou impressionado. Depois, no Samba da Madrugada, ele estava lá, ao lado de Dudu Nicácio, Miguel dos Anjos e seus convidados de peso trazendo fôlego novo ao samba das Minas Gerais. Mestre Jonas, o raio de luz, passou por aqui e tornou o mundo melhor, mais respirável. Gravou um único disco. Tinha mil projetos em mente, parcerias começadas. Não estava na hora ainda, mas hoje ele se foi. Aos 35 anos. Foi requisitado em Aruanda.

Vai em paz, meu querido! Nesse reveillon, fumarei um cachimbo em sua homenagem. Ninguém vai poder te substituir, mas a gente continua o trampo aqui, na medida do possível. Que os deuses recebam bem o orixá que você é!

Nzambi a tu bane ngunzu mukukaiela para a gente que fica!

2 comentários sobre “O raio de luz Mestre Jonas

  1. léo,
    gostava demais desse camarada, que conheci já no final do meu martírio cultural em bh, em 2003, quando decidi criar a inmensa cultura mídia educação, a fim de congregar várias práticas – literatura, música, artes plásticas, educação etc. concebi um selo musical, chamado terceira música, e jonas se apresentou como um dos articuladores. lembro-me dele dizendo: terceira música é muito interessante porque, para mim, a terceira música de um cd sempre foi a mais surpreendente. a gente se encontrava frequentemente na sede da inmensa, todo um andar que aluguei na rua da bahia. a fidelidade de jonas àquele projeto era, para mim, um grande estímulo. chegamos a reunir vários músicos uma tarde para falar sobre o projeto, como sérgio pererê. nada deu certo, mas ficou, daquela canoa furada, um respeito e carinho enormes por mestre jonas. tinha certeza de que ali estava uma das grandes aparições da música brasileira deste 00. nunca mais nos encontramos, mas volta e meia tinha boas notícias sobre ele. rapaz, realmente, em mais um sábado desgraçado neste sertão, não sei onde colocar a vida.
    abraço triste.
    anelito

  2. pois é, anelito. isso foi um grande choque pra mim e pra muita gente pelo mundo afora. mestre jonas era brilhante. todos gostávamos muito dele. agora é seguir em frente com mais (ou melhor, com menos) esta.

    um abração.

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