Feira Textura #5

Neste sábado, das 11 às 17h, acontece em Belo Horizonte a Feira Textura. Trata-se da quinta edição da feira de impressos que vem sendo um sucesso desde que começou a acontecer, no Bar Agosto (Rua Esmeralda, 298 – Prado). O evento deste ano conta com a participação de diversas editoras independentes.

A Textura é uma criação coletiva. A iniciativa expõe novidades para editores, designers e artistas locais, uma forma de estreitar os laços entre os vários universos da literatura e das artes plásticas em diferentes suportes de mídia. Quem passar pela feira encontrará o melhor da literatura independente feita em BH e também de outros estados, além de apreciar uma atmosfera descontraída e o bate-papo de butiquim.

Mais uma vez, estarei lá com a editora Crisálida para uma sessão de autógrafos de Use o assento para flutuar. Terei grande prazer em vocês por lá.

*

A Zica
@Alecrim
Anome Livros
Cérbero Edições
Chão da Feira
Crisálida Livraria e Editora
Crivo Editorial
Dublinense
Editora Moinhos
Entrelinha Papelaria
Grupo Editorial Letramento
Impressões de Minas Editora
Javali
kza1
Lote 42
Mazza Edições
Páginas Editora
Preta Sebastiana Ateliê
Revista Piseagrama

Beagá Psiu Poético

A programação de Belo Horizonte essa semana vai de vento em popa. Vários eventos de poesia se encontrando. Quase que se poderia fazer um encontro dos blocos de poesia no domingo.

O Beagá Psiu Poético começa na quarta, dia 14 de março e vai até o domingo dia 18. Atividades intensas, lançamentos de livros de poesia, performances, bicicletadas, caminhadas, etc.

O Use o assento para flutuar será lançado no Beagá Psiu Poético na sexta-feira, dia 16 às 19h no CRJ – Centro de Referência da Juventude.

Se liga lá!

Em SP | Use o assento para flutuar na Desvairada

Chegou a hora de lançar o livro em São Paulo. Desta vez, estarei no estande da editora Pedra Papel Tesoura, durante a Desvairada – Feira de livros de poesia. Também nesse estande, estará acontecendo o lançamento dos livros A máquina de existir, de Fabrício Marques e Mapas provisórios, de Tatiana Perdigão. Estaremos no estande ao longo de todo o dia do evento: das 13 às 22h. Haverá leituras de poesia, performances, conversas e outras atrações durante o evento. Para saber mais, é no site da Desvairada: https://desvairadasite.wordpress.com/

Quando: Sábado, dia 10 de março a partir das 13h
Onde: no Aldeia 445 (Rua Lisboa, 445 – Pinheiros)

Feira de Inutensílios

No próximo sábado, dia 27 de janeiro a partir das 15h, tem lançamentos diversos na Feira de Inutensílios.
Será a primeira edição de 2018, onde teremos a presença ilustríssima de:

Adriane Garcia (performance)
Beatriz Magalhães (performance/instalação)
Benjamin Abras (performance)
Gil Amâncio (performance)
Leo Gonçalves (performance)
Nívea Sabino (perfomance)
Mário Rosa (cena-pensamento/instalação)
Paulo Sérgio Thomaz (música instrumental e cantada)
Zora Santos (experimento cênico).

Além das apresentações, o público também poderá curtir a feira propriamente dita (livros, revistas, zines, camisetas, pôsteres, fotografias,desenhos etc.) e os comes & bebes do Bar do Bardo.

Leo Gonçalves (este que vos fala) autografará, na ocasião, a segunda edição de Use o assento para flutuar, publicado pela editora Crisálida.

Entrada risonha & franca.
Local: Rua Albuquerque Maranhão, 76 – Campo Alegre
Belo Horizonte, MG

Expresso Poesia | Casa das Rosas

A partir do próximo sábado, a Casa das Rosas apresenta o projeto Expresso Poesia. Quinzenalmente, o Museu oferecerá um breve momento de descontração: a cada encontro, um poeta convidado manterá contato direto com o público, apresentando um pouco de sua obra.

No primeiro dos encontros, o poeta convidado serei eu. Apresento um pouco da performance “Em caso de incêndio queime lentamente”. Aproveitarei a ocasião para fazer uma pequena sessão de autógrafos do livro Use o assento para flutuar (2ª edição), que acaba de ser publicado pela Editora Crisálida.

EXPRESSO POESIA: O STAND-UP DA CASA DAS ROSAS
POR LEO GONÇALVES
20/01 às 14h30.
sábado, 20 de janeiro de 2018, às 14h30

Mais informações: www.casadasrosas.org.br

Use o assento para flutuar | 2ª edição

Foram meses de espera, um ano se passou desde que chamei os leitores para colaborar para a nova edição de Use o assento para flutuar. Aventuras ocorreram. Viajei para longe nesse meio tempo sempre com vontade de tê-lo comigo para mostrar aos amigos pelo mundo afora. Tive dúvidas se a edição sairia mesmo, como tudo o que duvidamos quando tarda muito para acontecer. Felizmente fui sempre acalmado pelo editor, Oséias Silas Ferraz, que sempre me deu alguma posição, me garantindo que aconteceria sim. E enfim: aconteceu. Aí está o livro. Impresso, ficou bonitão. Estou em lua de mel.

O livro pode ser adquirido dos seguintes modos:

Compre comigo mesmo, pessoalmente. Para me achar, basta acompanhar aqui mesmo no www.salamalandro.redezero.org a agenda de atividades que realizarei nos próximos meses.

No próximo sábado, dia 20, estarei em São Paulo: me apresento na Casa das Rosas às 14h30 inaugurando o projeto Expresso Poesia, que a casa organiza.

E no sábado seguinte, dia 27, participarei da Feira de Inutensílios, na casa de Ricardo Aleixo, em Belo Horizonte.

(Para ambos os eventos, aguardem mais notícias neste blog)

Pode comprar também nas melhores livrarias do país. Para isso, aguarde alguns dias até que comece a distribuição. O leitor pode, para adiantar, encomendar a seu livreiro preferido.

Um lugar onde não faltará nunca: a Livraria Crisálida, sede da própria editora. Ela fica no Edifício Maletta, em Belo Horizonte. Avenida Augusto de Lima, 233 – Sobreloja 25 (telefone: 31 3222 4956).

Você também pode encomendá-lo pelo site da Editora Crisálida, onde você encontrará mais informações sobre o método de pagamento e o prazo para a entrega. O link é: http://crisalida.com.br/livros/NE5493/9788587961884/use-o-assento-para-flutuar.html

Os amigos, claro sempre sabem como falar comigo.

CAHIER D’UN RETOUR AU PAYS NATAL

E eis que de repente força e vida me assaltam como um touro e a onda de vida circunda a papila do morro, eis que todas as veias e vesículas se apressam ao sangue novo e o enorme pulmão dos ciclones respira e eis o fogo tesaurizado dos vulcões e o gigantesco pulso sísmico batendo agora o compasso de um corpo vivo no meu firme abrasar.

Aimé Césaire
Diário de um retorno ao país natal

O Diário de um retorno ao país natal, nome que ganhou na excelente tradução da brasileira Lilian Pestre de Almeida, publicada em 2012 pela Edusp, é, acima de qualquer dúvida, um dos marcos mais importantes da poesia ocidental no século XX, ao lado (dentre outros) de Waste Land de T.S. Eliot, The Cantos de Ezra Pound e o Howl de Allen Ginsberg. Nada estranho, no entanto, que tenha passado às ocultas para os grandes diálogos sobre literatura nas escolas do Brasil, sempre ocupadas em discutir a poesia feita por autores brancos, sempre ocupadas em negar seu desinteresse pelas produções dos negros, sempre atenta em acordar valor às vanguardas europeias e em esquecer vanguardas de outros rincões do planeta, resumindo: das escolas eurocêntricas daqui que não nos ensinaram que um dos maior poetas do século XX foi um negro da Martinica. Talvez, inclusive, que o grande poeta do surrealismo talvez não tenha sido um poeta do surrealismo, propriamente, mas da Negritude.

Mas não é assim em todo o mundo. Aimé Césaire é tido como um dos maiores entre os maiores autores da língua francesa. Jean-Paul Sartre já declarava isso em 1948, assim como André Breton para quem ele era um negro que maneja a língua francesa como não há um branco capaz de fazê-lo. Sua importância foi crescendo, na medida em que o Cahier se tornou um marco para todas as literaturas do continente africano, obra primordial, lida em todos os idiomas possíveis e em todas as Áfricas possíveis, assim como em países do Caribe, nos Estados Unidos, na Europa e onde quer que se queira conhecer um poeta que, para além de sua riqueza laminar, pode ser considerado aquele que fez literatura anticolonial como ninguém, um rebelde da língua. De tal maneira que, ao falecer em 2008, o racista Nicolas Sarkozy (então presidente da França) não podia fazer menos do que enterrá-lo no Panthéon, honra concedida somente a dois outros escritores antes dele: Paul Valéry e Victor Hugo. Provavelmente por ter levado a língua francesa a limites e lugares onde poucos escritores chegaram.

Faço questão de comentar sobre seus leitores e reconhecimentos em outros ambientes além do já esperado conjunto “negro” justamente para dizer isso: que sua poesia, profundamente marcada por um vocabulário racializado (a Aimé Césaire é atribuída a invenção da palavra Negritude, por exemplo), ocupa também outros espaços e ganha um tal nível de transbordamento que fica impossível reduzi-lo a um gueto, uma seita, um espaço pré-estabelecido dentro da literatura para pessoas negras, tal como é costume no Brasil. Aimé Césaire, para quem a Negritude consistia na retirada das camadas superficiais até que se chegue no mais profundo, que é, segundo ele, o “negro essencial”, era, insisto, um gigante.

E isso se dá porque sua poesia nunca foi uma prestação de contas para o que ele chama de “mundo branco”. Ao contrário, ela assustou esse mesmo mundo branco em sua época, por ser uma conversa entre pessoas não-brancas que não estavam dando a mínima para aqueles leitores que, segundo Sartre (que escreveu o prefácio a uma antologia-manifesto do movimento da Negritude), “gozaram durante 3 mil anos do privilégio de ver sem serem vistos”. Por fundamentar um diálogo de um mundo que dá de ombros para o que esperam dos negros os brancos. “Quando eu digo Negritude”, a fala é de Césaire numa entrevista em 2006, “é justamente para incomodar o branco. Ele me lança o insulto: “negro!”, e nós recolhemos essa palavra. Pois bem, sou negro sim! E isso te chateia, não é mesmo?”

O Cahier é, nas palavras de Lilian Pestre de Almeida, um discurso-serpente, um longo poema de transformação e de autoconhecimento. Relato do reencontro do homem negro com sua “terra natal”, que pode ser a Martinica, a África, sua própria aceitação, ou, indo mais ao fundo, o negro essencial. Está repleto de passagens arrebatadoras, num jogo entre a memória e a iluminação. Entre o grito de revolta e o grito do despertar. Entre a potência do momento primordial de todo poema épico e o lirismo de quem avança para mais adiante clamando a todos os demais que venham junto.

E está de pé a negrada

a negrada arriada
inesperadamente de pé
de pé no porão
de pé nas cabines
de pé na ponte
de pé ao vento
de pé sob o sol
de pé no sangue
de pé
e
livre
de pé e não pobre louca na sua liberdade e seu despojamento marítimos girando na deriva perfeita
ei-la:
mais inesperadamente de pé
de pé nos cordames
de pé junto à barra
de pé junto à bússola
de pé diante do mapa
de pé sob as estrelas

de pé
e
livre

(…)

*

Proposição

Há pouco mais de dez anos que venho lendo, conhecendo e estudando a obra de Aimé Césaire e que perpasso, sempre admirado, as páginas do Cahier (que eu costumava pensar mais como Caderno de um retorno à terra natal). Ao longo desse tempo, vim colecionando textos, livros, poemas que lhe fazem referência, estudos, glossários (extremamente necessários para um poeta de vocabulário gigantesco e que explode com os limites de seu idioma), entrevistas, biografias.

Eu gostaria de compartilhar um pouco dessas leituras com mais pessoas por aqui. Ouvir impressões. Conhecer pontos de vista diferentes do meu e dos dos autores que tenho lido. Por isso, estou organizando um programa que chamo de “Leitura Aberta”. Uma leitura integral do poema, que se abriria, na medida do possível, a um debate na sequência. Não tenho data nem local. Estou aberto a propostas. Para falar comigo, basta clicar em contato, no cabeçalho deste blog ou clicar AQUI.

La medusa dual | Antologia bilingue de poesia mexicana

“Poetas polisexuales, poetas bombas, poetas que brotan como pájaros com cabeza de niños y de niñas, poetas que surfam las ruinas del apocalipsis primaveril. “Me gustas más cuando te sueño… entonces hago de ti lo que quiero”, dice Rulfo, fazendo referencia também al lenguaje. Y es másomenos eso lo que fazem los poetas en esta antologia: usam el propio cuerpo como instrumento musical. Curtem sonhar la poesia y hacer de ella una bomba, una metralleta erótica, uma arma química verbal kontra todas las fuerzas que nos quieren tristes, mezquinos, impotentes, depres y cagones.”

Douglas Diegues na “Lectura previa” a La medusa dual

*

Acaba de ser publicada na Cidade do México a antologia La medusa dual [A medusa dual], da poesia mexicana atual. O livro tem organização de Fernando Reyes, parceiro com quem já publiquei a antologia Tenho tanta palavra meiga, também de poetas mexicanos vivos. Os poemas aparecem em espanhol e em português, com tradução de Leo Gonçalves, este que vos fala.

La medusa dual [A medusa dual] traz poemas de Armando Alanís, Jorge Contreras, Isolda Dosamantes, Jesús Gómez Morán, Antonio Hernandes Villegas, Leticia Luna, Aglae Margalli, Daniel Olivares Viniegra, Guadalupe Sánchez Linares, Lina Zerón, Pedro Emiliano, Arturo Trejo Villafuerte, Uriel Reyes, Patricia García, Andrés Cisneros de la Cruz e Fernando Reyes.

A antologia mostra um pouco da grande diversidade inventiva dos mexicanos, sempre pensando naquela ideia de Fernando, de mostrar que a poesia mexicana “não descansa em Paz”, ou seja, que ela não parou apenas nas aulas do Prêmio Nobel Mexicano, Octavio Paz. Erotismo e tradição. Ficção e trevas. Surrealismo e feminismo.

Quem assina o prefácio da antologia é Douglas Diegues, nosso maestro del portuñol salvaje. O livro aparece pela Cisnegro – Lectores de alto riesgo, capitaneada pelo maestro Andrés Cisneros.

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Título: La medusa dual / A medusa dual
Compilador: Fernando Reyes
Tradução ao português: Leo Gonçalves
Editora: Cisnegro
Ciudad de México, 2017