programa petrobrás cultural

no último dia 11 saiu o resultado do programa petrobrás cultural. detalhe interessante: nesta edição a petrobrás resolveu destinar uma parte do seu investimento em literatura. uma antiga demanda do setor, dizia num parêntesis o edital de dezembro/2006. ficava implícita a atuação do movimento literatura urgente nesse sentido. e logo, essa abertura gerou de imediato uma séria discussão sobre as condições do programa. a empresa se propunha investir naqueles escritores “que já mostraram anteriormente a importância do seu trabalho”. assim, o autor deveria ter em seu currículo pelo menos 1 livro publicado e com isbn, além de um contrato já fechado com alguma editora com registro legal.

marcelo sahea, ricardo aleixo e ademir assunção levantaram em seus respectivos blogues as melhores questões e foram em cheio: qualquer um sabe que poetas no brasil sempre publicam “às próprias custas s. a.” apenas alguns poucos se deram o trabalho de correr atrás de editora e de registro na biblioteca nacional. partindo desses princípios, quem sairia em primazia seria a ficção.

tratavam-se de discussões interessantes surgidas num momento inoportuno, na minha opinião. e fiquei calado. afinal, era a primeira vez que um programa como esses surgia no cenário nacional, já tão carente de boas iniciativas. a minha reação foi me deparar com um outro problema que colocava já em crise a exigência da petrobrás: como vocês podem ver aí ao lado, meus livros publicados são em sua maioria tradução de poesia e meu único livro de poemas passa muito longe de um registro comercial. para falar verdade, não penso nem sequer em me dar a tal trabalho por razão nenhuma. por outro lado, considero esses trabalhos de tradução tão importantes quanto meu trabalho criativo, pois me abre uma porta pouco freqüentada por quem escreve que é a do intercâmbio de idéias (e de poéticas) no ato de criação.

decidi então que inscreveria o meu “tratado de pequenos crimes”. de certa forma já sabia que não seria contemplado, mas achava necessário fazê-lo. politicamente mesmo. para que a questão se fizesse um problema real no ato da escolha. para criar um pouco de dúvidas quanto às regras.

não posso negar que cultivei uma certa expectativa. mas também, não posso deixar de ficar contente pelos poetas que alcançaram a distinção: ricardo aleixo, chacal (o livro dele é uma ficção!), sérgio alcides, rodrigo de souza leão, josely vianna baptista…

recebi a seguinte mensagem da petrobrás na manhã do dia 11:

a grande quantidade de projetos inscritos, a excelente qualidade apresentada e a limitação dos recursos disponíveis para atendê-los tornou extremamente difícil a escolha final. por essa razão, caso seu projeto não tenha sido contemplado, gostaríamos de esclarecer que a abertura de inscrições de projetos para a edição 2007/2008 será anunciada em breve no site da empresa, não havendo qualquer impedimento de re-inscrição de seu projeto.

bem, não sei se re-inscreverei o meu tratado. mas acho que o saldo é positivo. fico sonhando que outras empresas também tomem iniciativas desse tipo.

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