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Use el asiento para flotar

Use el asiento para flotar :: Traducción de Fernando Reyes Trinid :: Cisnegro - Lectores de alto riesgo

Já estão em minhas mãos os exemplares de Use el asiento para flotar, uma plaquete com 6 dos poemas de Use o asssento para flutuar, meu livro mais recente. A tradução é de Fernando Reyes, e a edição foi realizada por Andrés Cisneros. A publicação traz para a cidade do México um pouco do que venho produzindo e coroa (para minha alegria) a inesquecível estada, a acolhida carinhosa que recebi dos mexicanos desde que cheguei aqui, no dia 15 de março para o Festival Internacional de Poesia Ignacio Rodriguez Galván.

Dois programas para la Ciudad de México

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Nesta semana, participo de dois eventos na Ciudad de México. O primeiro deles acontece na quinta-feira, dia 31/03 a partir das 20h na Pulquería. Vários poetas farão uma homenagem a Ramsés Salanueva, com performances e leituras de poemas.

Participantes: Orquídea Dolores Reyes, Marielle Roman Tik, Sergio Alarcon Beltran, Daniel Olivares Viniegra, Leo Gonçalves, Armando Alanís, Alonso Díaz de Anda, Andrés Cisneros de La Cruz, Bárbara Oaxaca, Fernando Reyes Trinid, Gabriela Jimenez, Adriana Tafoya, Irma Leticia Quiroz, Jesús Garrido
Jonathan Goroztieta, Juan Carlos Valdovinos, Editorial Fridaura, Jorge Contreras, Marytere Caracas Estrada, Rovictor Oviedo, Yuri Zambrano Giaçin Tokkánul, David Cano, Lorenzo Cisneros Hernández Topete (Cuba), Beto Tafoya, Jorge Cano.

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Em seguida, na sexta-feira, dia 01 /04 a partir das 18h, participo do evento Clavería 22 – 1 ano. Eu e os poetas Fernando Reyes, Pedro Carpintero e Mario Belafonte faremos leituras  de poesia e minificções.

Neste segundo evento, lançaremos uma pequena publicação com poemas meus traduzidos por Fernando Reyes e projeto gráfico de Andrés Cisneros (que também assina o cartaz acima).

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Programa:
Homenaje a Ramsés Salanueva
Quinta-feira, dia 31/03 a partir das 20h
Local: Pulquería (Avenida Insurgentes, 226 – Colonia Roma – Ciudad de México)

Clavería 22
Sexta-feira, dia 01/04 a partir das 18h
Local: Clavería 22 (Avenida Clavería, 22 – Colonia Clavería, Del. Azcapotzalco. Ciudad de México)

VI Festival Internacional de Poesía Ignacio Rodriguez Galván

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De 16 a 22 de março, participo do VI Festival Internacional de Poesía Ignacio Rodríguez Galvan, que acontece na cidade Tizayuca, México. O evento terá diversas atividades que incluirão saraus, debates, uma visita à cidade sagrada de Tehotihuacán e muito mais. Espero poder dar notícias por aqui ao longo do festival.

Poemas para ouvir

Há algum tempo que planejava inserir coisas novas na página do soundcloud do Salamalandro. Hoje, repassando alguns poemas, decidi colocar alguns online. São gravações bem caseiras e descompromissadas, mas que já dão para começar uma conversa, para ferir uns ouvidos, para fazer girar a roda do poema. Os textos escolhidos foram publicados originalmente em “Use o assento para flutuar” (2012), mas incluí também a tradução “Language of Aruanda” na voz do tradutor Dan Hanrahan e o registro de “Canto para Matamba”, realizado em novembro de 2011 na Casa das Rosas (SP). Espero que vocês se divirtam com os poemas como eu me divirto ao falá-los.

 

 

Let’s howl!

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Com uma atmosfera intimista, o evento traz os escritores Leo Gonçalves,Joaquim Bührer e o guitarrista e compositor Robsongs, que irão conduzir a noite de quarta-feira, inspirados na poesia e na arte da cultura Beatnik.

Iniciando os trabalhos deste 2016 que promete ser árduo, participo nesta quarta-feira, dia 13 de janeiro, do sarau Let’s howl, organizado pela Lua Palasadany e pelo Guilherme Ziggy. Quero aproveitar para saudar os poetas Amiri Baraka (aproveitando a onda beat do evento) e Juan Gelman, que faleceram há dois anos em datas próximas.

Quando: 13 de janeiro (quarta-feira) – 20h00
Onde: Kabul Bar – Rua Pedro Taques, 124 – Consolação

Ingressos:
R$15:00 Sem nome na lista
RS 10:00 Com nome na lista ou confirmação no evento.

MULHER VIP até às 22h00

Jornada dupla no Sesc Ribeirão Preto

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Estarei nos próximos 4 dias em Ribeirão Preto para uma jornada dupla. Primeiro, uma oficina. Depois a performance: Em caso de incêndio queime lentamente.

Poesia. Objeto lúdico.
De 27 a 29 de outubro, no Sesc Ribeirão Preto, sempre às 19h, ministro a oficina “poesia. objeto lúdico.” Projeto que venho inventando desde longa data, o propósito é descobrir a poesia como uma prática experimental. Embora não exista uma didática específica para a criação poética, penso numa oficina como um espaço de trocas, de descobertas. Será esta a nossa brincadeira. Traga seu fogo.

Para mais informações: http://www.sescsp.org.br/programacao/74477_POESIA+OBJETO+LUDICO

Em caso de incêndio queime lentamente
Esta performance que inaugurei em 2013, traz poemas de Use o assento para flutuar. Gosto de estar em cena, e terei o prazer de estar diante da admirada plateia de Ribeirão Preto.

Para saber mais sobre a performance, é aqui: http://www.salamalandro.redezero.org/performance/em-caso-de-incendio-queime-lentamente/
Para se informar sobre a apresentação, o link do Sesc é: http://www.sescsp.org.br/programacao/74481_EM+CASO+DE+INCENDIO+QUEIME+LENTAMENTE

Jean-Joseph Rabearivelo e sua fala-canto na Modo de Usar e Co.

Jean-Joseph Rabearivelo

O poeta Jean-Joseph Rabearivelo (Madagascar 1901-1936) é uma figura enigmática no contexto da literatura mundial. Com uma imaginação gnóstica, forte influência do romantismo-simbolismo francês, especialmente Rimbaud, Baudelaire e Mallarmé, paixões que ele costumava declarar em seus textos, e uma tendência a transpor para o ambiente malgaxe esse seu gnosticismo, preenchendo de tambores, ritos, tradições e animismo seus poemas, ele pode ser considerado uma espécie de precursor da Negritude de Senghor e Césaire, bem como uma dos poetas mais interessantes do século XX.

Considero seu poema “Ny Tononkira”, escrito simultaneamente em malgaxe e em francês, extremamente significativo para aquilo que venho pensando. Ele aponta, a meu ver, para um projeto de “verbo atuante” tal como eu e meu parceiro Benjamin Abras andamos formulando. Também aponta para a fala-poema, a palavra em movimento, performáticas, das minhas interlocuções com Ricardo Aleixo. Fervuras.

Quem quiser lê-lo, é no: http://revistamododeusar.blogspot.de/2015/08/taducao-inedita-de-leo-goncalves-para.html

Dan Hanrahan e a Língua de Aruanda

Photo: Pablo Urbiztondo
Photo: Pablo Urbiztondo

Conto aqui uma experiência que há muito sinto falta de relatar.

No final de 2013, às voltas com certo projeto, pedi ao meu amigo Dan Hanrahan um favor/desafio, desses que não se faz a qualquer hora nem a qualquer um: que traduzisse alguns poemas meus. Para minha sorte, ele topou. Mas a tarefa, embora não impossível, não era tão fácil. Isso porque os poemas que enviei estavam carregados de jogos de palavras, especificidades da cultura brasileira e, por vezes, palavras de origem africana que tinham grande importância na composição do poema.

Este que foi o começo de um grande diálogo que ainda está em movimento, foi para mim um grande presente. Isso porque Dan logo compreendeu o ritmo daqueles poemas, seus aspectos míticos e ritualísticos, dançou junto comigo, me contou histórias de experiências suas com as tradições negro-atlânticas (voodoo haitiano e arredores) e não só fez um trabalho impecável como também gravou para mim cada poema para que eu conhecesse a sua sonoridade, me presenteando com algo que ambos valorizamos: o registro oral como obra única e com semiótica própria.

Ao final, ele traduziu: “Ofó para o ventre dela [Ofo for her belly]”, “Mutacalambo” e “Língua de Aruanda [Language of Aruanda]”. Para deixar um gostinho da experiência, incluo aqui o poema em inglês (esta tradução já foi publicada na Revista Babelsprech num artigo interessantíssimo de Ricardo Domeneck sobre a poesia brasileira) e sua vocalização. Os demais, guardo para um momento mais provocativo.

Language of Aruanda

my grandmother who was the daughter of a daughter
my grandmother who was the grandma of a grandma
stuttered and sang as a young girl
a song lost in the farthest away
a song that I myself still sing by heart
not knowing what it means
unsure if I sing it right
I know that when I sing
my body hums
my blood flows
and there isn’t an evil eye that survives
this ancient song
that my ancestors carved in the echo
of my grandparents’ voices

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Dan Hanrahan é poeta, tradutor, compositor, violonista, cantor, performer, dentre uma grande multiplicidade de vidas que encarna na sua forma de estar no mundo. Nascido em Chicago, vive em Baltimore. Crítico ferrenho da falida civilização ocidental, Dan escreve no blogue www.danhanrahan.blogspot.com.br. Acaba de lançar o disco “Three waves”, sobre o qual espero ainda falar por aqui.