um poema de renata cabral

sorriso morto dentro de uma gaveta

fatos feito fogo,
fugas em ré menor
o ano começou em guerra

não deram trégua, não há trégua
uma mulher morta próxima à janela
uma mulher morta é ainda apenas uma mulher

alguém risca a parede com as unhas e avisa que é tarde
seu sorriso é como uma cidade
contraditório e inexato

e seus dentes grandes-brancos-imperfeitos mastigam os compromissos diários e a estupidez daqueles que contratam e carimbam e contratam e

hoje as horas cantam velozes e catam estilhaços sangue abismos
uma cidade inteira a ver navios.

(poema da minha amiga renata cabral, escrito em face aos acontecimentos recentes na faixa de gaza)

Um comentário sobre “um poema de renata cabral

  1. cotidiano,política,neurosesensual,tudo que transforma a vida e a poesia é por demais belo,ritmicosujo…é o de dentro para fora do sonho…

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